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xoves 24 abril 2014

Você e as crises

O DIA DA SARA -- Você e as crises

Quem é fraco numa crise é realmente fraco”. Provérbios 24.10.

Quando falamos de crises lembramo-nos de problemas que nos cercam ou que são externos a nós. O que está fora é uma parte da questão, a outra é como nós enfrentamos os problemas. O provérbio acima não fala do que está acontecendo no mundo, mas analisa a nossa maneira de enfrentar ascrises.

Esse provérbio se divide em três momentos. Primeiro fala da pessoa que é fraca. A palavra hebraica que traduzimos por fraco, pode ser mais bem traduzida por frouxo. Não como expressão grosseira ou agressiva, mas como metáfora de algo que está solto, que não tem firmeza. Assim, quem se mostra frouxo, fica desalentado, deixa cair a bola, relaxa e afunda.

O segundo momento do provérbio é a expressão idiomática “dia da Sara”, que foi traduzida na versão em Linguagem de Hoje por crise. A expressão “dia da Sara” tem o sentido de “aquela que importuna” ou “de esposa rival”. Isto porque na tradição do judaísmo antigo, Sara, mulher de Abraão, era vista como brava e brigona, que maltratou Agar, a ponto dessa última fugir de casa.

Devemos nos lembrar que a família hebraica antiga era poligâmica e a esposa chamada de rival era aquela que em determinado momento entrava em choque com a outra, ou com as outras e desestabilizava o equilíbrio da família. Para o senhor, esse era um momento da crise. O homem era o senhor e regente dessa família de estrutura patriarcal, e caso se mostrasse frouxo, diz o ditado hebraico, perderia o controle da situação, entraria em depressão e afundaria.

O provérbio parte de uma realidade cultural, ilustrada na família patriarcal machista, onde as mulheres se chocam, e o marido não pode ser frouxo.

Apesar de não concordarmos com a estrutura poligâmica, patriarcal e machista dessa família, a lição do provérbio permanece válida. Assim, contextualizado, podemos dizer que a atitude que você deve tomar diante da crise não pode ser de alguém que se deixa desorientar e afundar.

A crise aí descrita fala de um momento onde há um elemento desestabilizador, que enlouquece um ambiente ou uma situação. Ser frouxo, ter uma atitude de “deixa estar que depois melhora” pode levar todos a afundarem juntos. Esse é o momento da liderança consciente, momento de encarar o problema com sabedoria e firmeza.

Como aconselhou o apóstolo Paulo, devemos estar alertas, ficar firmes na fé, ser corajosos e fortes (1ª. Carta aos coríntios 16.13). Que Deus lhe dê firmeza e sabedoria para enfrentar problemas e conquistar vitórias!

martes 22 abril 2014

Humor paulistano



Pessoal, estar lá é de lei. Momento maior dos quadrinhos paulistanos. Uma obra de arte de Toninho Mendes, mas que não existiria sem os gênios que nas ultimas décadas revolucionaram a quadrinharia da Sampa desvairada! A eles o nosso reconhecimento e amplexos luxuruosos!

sábado 19 abril 2014

12 devocionais para você

Para pensar nas próximas doze semanas depois da Páscoa
Por Jorge Pinheiro

A VITÓRIA VEM COM O AMOR

Em relação à espiritualidade cristã, o apóstolo Paulo diz que há três tipos de pessoas: 

(1) A natural, que não reconhece Jesus como senhor de sua vida: “Mas quem não tem o Espírito de Deus não pode receber os dons que vêm do Espírito e, de fato, nem mesmo pode entendê-los. Essas verdades são loucura para essa pessoa porque o sentido delas só pode ser entendido de modo espiritual”. (1Coríntios 2.14).

(2) A espiritual, que aceitou Jesus como senhor e salvador e, como conseqüência, tem a sua vida dirigida pelo Espírito Santo: “A pessoa que tem o Espírito Santo pode julgar o valor de todas as coisas, porém ela mesma não pode ser julgada por ninguém. Como dizem as Escrituras Sagradas: 'Quem pode conhecer a mente do Senhor? Quem é capaz de lhe dar conselhos?' Mas nós pensamos como Cristo pensa”. (1Coríntios 2.15-16).

E (3) a carnal, que já aceitou a Jesus como salvador, mas confia em seus próprios esforços para viver a vida cristã: "Na verdade, irmãos, eu não pude falar com vocês como costumo fazer com as pessoas que têm o Espírito de Deus. Tive de falar com vocês como se vocês fossem pessoas do mundo, como se fossem crianças na fé cristã. Tive de alimentá-los com leite e não com comida forte, pois vocês não estavam prontos para isso. E ainda não estão prontos, porque vivem como se fossem pessoas deste mundo. Quando existem ciumeiras e brigas entre vocês, será que isso não prova que vocês são pessoas deste mundo e fazem o que todos fazem?” (1 Coríntios 3:1-3)

Para a primeira semana depois da Páscoa

Filipenses 2.1-11. “Por estarem unidos com Cristo, vocês são fortes, o amor dele os anima, e vocês participam do Espírito de Deus. E também são bondosos e misericordiosos uns com os outros. Então peço que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente. Então peço que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz. Por isso, Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai”.

O AMOR CRISTÃO

É preciso coragem para ir à luta, como as Escrituras Sagradas nos desafiam. E a principal dessas lutas, diz respeito ao nosso caráter. Por isso, fazer aos outros aquilo que nós desejamos que nos façam, é a melhor definição de amor. Isso quer dizer que devemos considerar as pessoas da nossa família, os amigos, mas também aqueles de quem discordamos tão importantes quanto nós. Significa aprender a respeitar as pessoas e entender que não estão aqui por acaso. Esse é o amor que Jesus ensinou.

O jeito de Deus para completar a sua transformação em nossa vida é a obra do Espírito Santo. Caso você tenha aceitado Jesus como Senhor da sua vida, uma das primeiras coisas que o Pai fará é introduzir o Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, na sua vida.

Através do Espírito Santo, Ele vai realizar um processo de transformação, trabalhando todos os dias para mudar seu caráter, na sua forma de agir e reagir espiritualmente. O Espírito Santo se dedicará a edificar a sua vida através do amor. Mas você deve cooperar com Ele.

Como você tem experimentado a presença e o poder transformador do Espírito Santo na sua vida?

Conte para o grupo uma situação em que você não cooperou como devia com o Espírito Santo e quais foram as conseqüências. 

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Seja forte Salmos 31.24

Terça-feira O sofrimento vai passar Jó 11.16-19

Quarta-feira Deus refaz a vida Salmos 138.7

Quinta-feira Entrega o problema a Deus Salmos 55.22

Sexta-feira Não se desespere João 14.1

Sábado O que Deus quer para você Jeremias 29.11

Texto para reflexão

Fomos chamados à liberdade. O que significa isso? Bem, talvez falar de corvos, gaviões e passarinhos ajude...

ENTREGUE O BANDIDO

Em 1965, Pier Paolo Pasolini, um dos gênios do cinema italiano, filmou “Gaviões e passarinhos”, história que é uma metáfora sobre a liberdade. Numa estrada vazia, um senhor e seu filho encontram um corvo que fala. O corvo os transforma em dois monges franciscanos e eles são obrigados a pregar para gaviões e passarinhos. O próprio Pasolini diria:

"Nunca criei um filme tão desarmado, frágil e delicado como esse. Ele não se parece com meus filmes anteriores e não se parece com nenhum outro filme... Seu surrealismo tem pouco a ver com o surrealismo histórico, mas fundamentalmente com o surrealismo das fábulas".

O filme é uma parábola sobre a crise existencial, representada pelo corvo. Pai e filho representam as pessoas inocentes que não sabem como enfrentar as falsidades do mundo. A liberdade tem um custo. O custo de enfrentar as limitações de nosso caráter, em primeiro lugar. E é sobre isso que vamos falar: entregue o bandido, agora!

Jesus disse que deveríamos apresentar nossas necessidades ao Pai, em nome dele (João 14.13), e que ele, Jesus, nos responderia para que o Pai fosse glorificado no Filho. A idéia do texto é que devemos apresentar, entregar a Deus nossas necessidades. É como se disséssemos: “Senhor, olha a minha situação, quero lhe entregar este problema, fica com ele, com o problema, a dor, e supre minha necessidade”.

Aprendi com um amigo pastor, que muitas vezes devemos entregar nossas dificuldades de caráter a Deus, como o xerife leva o bandido para a cadeia. “Deus, eis aqui o meu pecado, ele é um bandido na minha vida, eu não quero mais ele comigo. Coloca ele não cadeia”. E Jesus agarra a limitação do seu caráter e prende. E você sai de diante de Deus, em paz, sem nenhum pecado bandido para infernizar a sua vida.

Nesse sentido, como disse o sábio, há tempo para tudo. E você deve definir os tempos de sua liberdade. Isso significa, em primeiro lugar, dizer que a partir de agora, desse momento, você não quer mais conviver com essa falha do seu caráter.

Muitas pessoas sofrem e oram a Deus para que as liberte de um vício, de um pecado, mas não entregam o bandido ou, como dizem os jovens da FEBEM, “não soltam o refém”. Você tem que soltar o refém.

Ao fazer isso, você não está exigindo nada de Deus. Você não está mandando em Deus. Ao contrário, você está fazendo exatamente aquilo que Ele deseja. Quando você entrega a Deus o seu problema, o seu vício, o seu pecado, você não sai vazio da presença de Deus. Como o herói de um filme de bang bang que capturou o bandido procurado e o entregou ao xerife, você, pela graça, recebe uma recompensa espetacular: o fruto do Espírito. Cada bandido procurado e entregue, você pode trocar por um gomo do fruto do Espírito. Você entrega o bandido do ódio e sai com o amor, você entrega a bandida da ira e sai com a paz no coração.

Agora você sabe que tem uma tarefa pela frente, fixar os tempos da sua liberdade. Prepare-se: esta é a semana em que você está desafiado a entregar algum bandido que inferniza a sua vida vida -- o ódio ou um de seus cúmplices: antipatia, aversão, enfado, nojo, raiva, repugnância. Lembre-se, nessa tarefa o Espírito Santo é seu aliado, ele vai lhe dar coragem e força, vai lhe animar para você cumprir a missão. Vá em frente, você pode!

Por isso, como na parábola de Pasolini, somos chamados a pregar para gaviões e passarinhos. Somos livres em Cristo: chamados a viver no Espírito o desafio incondicional de realizar a verdade e fazer o bem.

Para a segunda semana depois da Páscoa

João 15.9-11.. “Assim como o meu Pai me ama, eu amo vocês; portanto, continuem unidos comigo por meio do meu amor por vocês. Se obedecerem aos meus mandamentos, eu continuarei amando vocês, assim como eu obedeço aos mandamentos do meu Pai e ele continua a me amar. — Eu estou dizendo isso para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”. 

A ALEGRIA CRISTÃ

Existem duas verdades bíblicas relacionadas com a alegria e a felicidade. A primeira é que Deus ama tanto você que definiu como prioridade produzir um espírito de alegria na sua vida. Ele tem este compromisso: desenvolver a alegria no fundo do seu coração através do poder sobrenatural do Espírito Santo. Ele que você tenha alegria em profusão, que você transborde de alegria, uma alegria capaz de ir além de qualquer dor, do desânimo ou de qualquer problema que você possa enfrentar.

A segunda verdade é que Deus tem um plano para alcançar esse objetivo: encher sua vida de relacionamentos significativos. Depois, ele lhe dará um vida plena de propósitos e de sentido. E, por fim, encherá você de esperança, uma esperança eterna.

* Como sua relação com Deus trouxe relacionamentos de amor significativos para sua vida?

** De que modo o seu relacionamento com Jesus dá significado à sua vida?

*** Por que andar com Jesus dá esperanças para a sua vida?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Os sete livramentos Jó 5.19

Terça-feira O Senhor dá força Salmos 29.11

Quarta-feira De Cristo, nada nos separa Romanos 8.38-39

Quinta-feira Ele expulsou o inimigo Deuteronômio 33.27

Sexta-feira Faça o bem Gálatas 6.9

Sábado Alegria e paz Romanos 15.13

Texto para reflexão

60 anos em branco

É ELE QUEM NOS ENCHE DE ALEGRIA!

“Vocês sairão alegres da Babilônia, serão guiados em paz para a sua terra. As montanhas e os morros cantarão de alegria; todas as árvores baterão palmas. Onde agora só há espinheiros crescerão pinheiros, murtas aparecerão onde agora só cresce o mato. Isso será para vocês uma testemunha daquilo que eu fiz, será um sinal eterno, que nunca desaparecerá.” (Isaias 55. 12-12).

O carro era um Renault Modus, 2005, placa 420AMW60, e o patrocinador o Toninho, nosso padrinho de casamento, meu e da Naira, pelo meu aniversário de 60 anos, completados no sábado dia 5 de março.

Partimos de Montpellier, no litoral do Mediterrâneo francês em direção ao Parque Nacional de Cèvennes, às 8 da manhã de sábado, chegamos em Anduze, cidade que dá entrada à região de Cèvennes, por volta das 10 da manhã. Depois de dois cafezinhos para nós e um chá para a Paloma, para esquentar o frio, começamos a atravessar o parque, zigzagueando o vale e margeando o rio Gard. 

Cenário do campo da região de Languedoc, com seus castelos, não muitos, suas fazendas e vinhas. Arquitetura medieval em pedra, cidades que se cruza em minutos. Estradas secundárias, mas em ótimas condições. Uma delas com um aviso, «chaussées deformées», para dizer que a pista não era muito boa. Fiquei esperando buracos e desvíneis, mas nada... apenas não era lisa como as anteriores. 

Quando o vale ficou para trás e iniciamos a subida da montanha numa estrada sinuosa com precipícios à direita, Paloma teve sua primeira grande experiência deste inverno, nevava levemente. Mas, conforme subíamos, maior umidade e neve mais forte. Não houve como resistir, descemos do carro e fizemos nossa primeira guerra na neve. Foi a glória. Naira e Paloma pareciam duas crianças. A maior farra. Preocupado com a possibilidade das meninas se resfriarem, fiz as duas voltarem ao carro. Estávamos na maior alegria. 

Seguimos viagem debaixo de neve e da beleza das estradas emolduradas... E logicamente os pinheiros verdes, cobertos... como nos cartões postais de Natal. Chegamos a Florac, já lá em cima, no meio de uma nevada que caía quase forte. Entramos num restaurante muito simpático, cheio de hippies, o que parecia estranho e fora de época, afinal estamos em 2005. Tomamos chocolate quente e voltamos para o carro. Estacionei numa pequena praça e dentro do carro almoçamos. Naira tinha preparado coxa de peru assado com batatas, suco de maça e pão, que aqui é sempre um capítulo à parte. Amamos «les baguettes». 

Depois do almoço, ainda em Florac, fomos visitar um castelo que no século XVII fez parte da resistência protestante. Atenção, toda a região de Cèvennes no século XVII foi um pólo das lutas pela liberdade religiosa, de pensamento e de expressão, com a presença dos primeiros huguenotes.

Nevava forte e a história cedeu lugar a uma nova e aguerrida batalha na neve, agora sem mediação ou armistício. Naira, a mãe, foi atacada sem dó nem piedade. E em nenhum momento reclamou das boladas recebidas. Reagiu à altura, sem complacência. Por fim, voltamos ao carro e seguimos viagem para Barre de Cèvennes, outra região histórica, onde o protestantismo nascente produziu «camisards» e profetas. 

Mas aí tivemos o prazer de entrar na cidade debaixo de uma nevada muito forte. Em poucos minutos a neve cobriu o carro. Descemos e fomos visitar uma igreja protestante do século XVII. Eu estava emocionado pelo momento sublime do encontro com o passado heróico da fé protestante, mas também, como Naira e Paloma, inebriado pela beleza da nevasca, soprada por ventos fortes.

Assim como a neve...

A cidade inteira estava branca. Tudo branco. Guerra de neve era pouco, o momento exigia algo mais grandioso. Lembrei-me de Isaías 55, quando Deus diz que assim como desce a neve dos céus e para lá não volta, mas rega a terra, a faz produzir, brotar, dar semente ao semeador e pão ao que come, assim é a palavra Dele, que não volta, mas faz o que Ele quer e prospera no objetivo para a qual foi enviada. Agradeci a Deus pela vida, por meu ministério e pela eternidade com meu Senhor e Deus.

Um grupos de rapazes passou por nós, no meio da rua, cantando, gritando, alucinados pelo momento. Foi difícil deixar Barre de Cèvennes. Mas tivemos que fazê-lo. Eu não queria dirigir nas montanhas, à noite, debaixo de neve.

No caminho, Naira viu um mirante, grande, que se debruçava sobre o vale. Paramos mais uma vez.

Desta vez, Paloma fez o anjo. Para quem não sabe, consiste em se jogar de costas na neve, de braços abertos, e deitada fazer movimentos com os braços para marcar a neve. Depois, de pé, olhar e ver no branco, em branco, um anjo com suas asas abertas. E fez outro anjo... e por fim num gesto solidário, juntos, fizemos nosso primeiro boneco de neve. Na verdade, boneca, porque vestiu o gorro e o cachecol rosas da Paloma. Não era uma boneca enorme, mas muito simpática.

E lá seguimos nós, parando mais uma vez num pequeno hotel e depois fazendo o caminho de volta. Retornamos ao vale, passamos de novo por Anduze, e seguimos para Nîmes, cidade construída pelos romanos, que tem no centro uma arena, um coliseu, onde ainda se realizam corridas de touro. Quando chegamos estava acontecendo uma. Mas levei as meninas a Nîmes só para uma rápida olhada. Voltamos, já à noite para Montpellier.

Chegamos às 20h30. E como li a placa do Renault que aluguei, ao bater os olhos nela, como «60 Attends à Merveilleux Week-end 60» (ou seja, “60 Aguarde um maravilhoso fim de semana 60”), agradeci a Deus pelo gostoso sábado branco de meus sessenta anos, que Toninho nos proporcionou. E a Deus toda a glória! Pois aqueles que esperam nele renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. (Isaías 40.31).

Para a terceira semana depois da Páscoa

João 14.25-27.

“— Eu estou dizendo isso para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa. Mas o Auxiliador, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará com que lembrem de tudo o que eu disse a vocês.— Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo”. 

A PAZ COM DEUS

Todos nós conhecemos pessoas que não vão à igreja e vivem distantes de Deus. Mas quando a gente pergunta: 'Você não acredita em Deus?'. Respondem: 'Acredito sim, vivo em paz com Ele, e por isso não preciso fazer mais nada'.

Na verdade, essas pessoas vivem a paz de um estranho pacto: Deus cuida da vida dele, e ela cuida da vida dela. É a paz do fim das hostilidades. Nessa paz não existe um conflito declarado, mas sem dúvida este não é um relacionamento saudável. 

Deus, através de Jesus, declarou o fim das hostilidades. Mas Ele não quer apenas esse tipo de paz, de armistício, você lá e Ele lá longe. Ele quer a paz do amigo, do marido apaixonado pela esposa, Ele quer a paz da intimidade. Ele quer uma paz que cura os relacionamentos feridos. 

Nas verdade, Deus diz para você: “Vou fazer tudo para ter uma paz, cheia de amor e alegria, e farei tudo que for necessário para isso. Vou até você e vou derrubar as muralhas. Vou chegar pertinho e soprar sobre você o meu Espírito Santo. Então você se sentirá atraído/a e viveremos um relacionamento de amor”.

Não se esqueça: você nunca encontrará paz no fundo do seu coração até que tenha um relacionamento de amor e alegria com Jesus. Somente pela confissão de nossos pecados, que diz para Jesus, o senhor é meu salvador, podemos encontrar a paz de que a Bíblia nos fala.

* Como é a vida da pessoa que tem com Deus apenas a paz do fim das hostilidades?

** O que ocorre na vida quando descobrimos a paz da intimidade com Deus?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Ele dá o livramento 1Coríntios 10.13

Terça-feira Ele não rejeita você Jó 8.20

Quarta-feira Não somos desamparados 2Coríntios 4.8,9

Quinta-feira Receba a paz! João 14.27

Sexta-feira Ele é o libertador! Salmos 68.19-20

Sábado Clama, Ele ouvirá Salmos 4.3

Texto para reflexão

VOCÊ QUER INOVAR MISSÕES?

Existem abordagens inovadoras que podem eletrizar a igreja, como por exemplo a assistência nas situações de catásfrofes e combates às endemias, ministério de apoio as populações em situações de risco, evangelismo urbano de comunidades socialmente excluídas. 

Mas por que isso? Por que fazer missões sob novo olhar? Porque é unânime entre os missiólogos que a Europa e Estados Unidos deixaram de ser o centro de gravidade do cristianismo. Durante mais de um século, Europa e Estados Unidos foram os grandes impulsionadores do movimento missionário, mas no final do século 20 deixaram de ser o centro de gravidade do cristianismo e foram substituídos por igrejas de outras regiões, entre as quais as igrejas brasileiras, conforme entrevista do presidente da Aliança Reformada Mundial (ARM, que representa 75 milhões de fiéis em mais de 100 países), Choan-Seng Song.

“Dos 2 bilhões de cristãos que há no mundo, 1,24 bilhão encontra-se na África, Ásia, Oceania e América Latina, e 821 milhões na Europa e na América do Norte”, contabilizou Song, baseando-se em informações divulgadas pela Enciclopédia Britânica.

Para esse pastor presbiteriano de Taiwan, essa proporcionalidade verifica-se também no campo das igrejas cristãs reformadas. Dois terços das igrejas membros da ARM estão fora da Europa e da América do Norte.

As igrejas que nas décadas anteriores difundiram o cristianismo ao resto da Terra parece que estancaram e perderam o vigor espiritual. Agora percebe-se uma maior influência das igrejas procedentes dos “confins da terra”, entre as quais as igrejas brasileiras, que mostram sinais de vigor e crescimento. 

Assim como o futuro da economia mundial vai depender mais dos países e povos do mundo em desenvolvimento, também as igrejas e os cristãos dos “confins da terra” desempenharão uma função decisiva no futuro do cristianismo.

Essa situação introduz muitos desafios e responsabilidades. Do ponto de vista cultural e religioso, o mundo em que as igrejas e os cristãos vivem é plural. As missões cristãs trataram de convertê-lo num mundo monolítico, mas isso não funcionou, ao contrário, gerou conflitos. 

Assim, temos que impedir que se exija deste mundo que se adapte às culturas idealizadas pelas igrejas do passado e ao mundo centralizado na Europa e nos Estados Unidos. Temos de remodelar nossa maneira de fazer missões à luz da diversidade criada por Deus. 

A reconstrução da comunidade humana é outro desafio que devemos encarar, disse o professor Song. “Nos últimos anos testemunhamos a forma como a comunidade humana manchou-se de sangue e foi assolada por conflitos ocasionados não somente por forças políticas e econômicas, mas por forças religiosas. É curioso que as religiões que professam a paz, o amor e a salvação provoquem temor, ódio e destruição no mundo”, declarou. 

O presidente da ARM propôs que as igrejas sejam comunidades abertas e não alheias às necessidades da sociedade, e que sejam comunidades de cura, sem deixar de lado a luta pela justiça econômica, racial e de gênero. 

«Que o Senhor da paz dê a vocês a paz, sempre e de todas as maneiras». 2Tessalonicenses 3.16.

Fonte
Missão Portas Abertas.

Para a quarta semana depois da Páscoa

Romanos 5.1-2.

“Agora que fomos aceitos por Deus pela nossa fé nele, temos paz com ele por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. Foi Cristo quem nos deu, por meio da nossa fé, esta vida na graça de Deus. E agora continuamos firmes nessa graça e nos alegramos na esperança de participar da glória de Deus”.

A PAZ COM NÓS MESMOS E COM OS OUTROS

Muita gente pensa que a paz serve só para termos um relacionamento especial com Deus. Não é verdade. Quando vivemos a paz com Deus, maravilhas do Espírito Santo acontecem no nosso íntimo. Uma delas é que começamos a nos reconciliar com nós mesmos. E descobrimos que há coisas especiais naquilo que somos. Se antes você olhava para você e só via defeitos: Puxa, porque não sou mais extrovertido? Puxa, por que eu não tenho essa habilidade? Puxa, se ao menos eu estivesse numa situação diferente? Agora, porque você tem Paz com Deus, através de Jesus, o Espírito Santo dando a você novas capacidades, vai mudando seu caráter... E você vai descobrir que também é uma pessoal especial.

* Em que áreas da sua vida você só vê defeitos?

** Agora ouça o grupo falar das suas qualidades, daquilo que apreciam em você e vêem nisso um toque especial do Espírito Santo?

Bem, você pode já estar em paz com Deus e em paz com você mesmo, mas isso não basta. Se você estiver em guerra com alguém, a sua paz ainda corre perigo. Deus quer que você tenha paz com todos que o rodeiam. 

Exatamente porque Jesus é o Senhor da sua vida, o Espírito Santo vai incentivar você a ter coragem de dizer um basta na guerra contra certas pessoas. Ele vai pressionar você para dar um telefonema, a falar francamente, a pedir perdão, e a dizer à pessoa: eu quero ter um relacionamento gostoso, fraterno, com você.

Abaixar a guarda, depor as armas, é uma paz que até o mundo conhece. O Espírito Santo quer mais. Deseja uma paz que seja reconciliadora: de amor e alegria!

* Com quem você não está em paz no momento?

** O que você precisa fazer para estabelecer a paz com essa pessoa?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Ele abençoa o justo Salmos 5.12

Terça-feira Não tema Isaias 43.1

Quarta-feira Não se estresse Filipenses 4.6

Quinta-feira Você não está sozinho 2Reis 6.16

Sexta-feira Ele coloca você no colo Isaías 40.11

Sábado Ele não desampara Salmos 37.28

Texto para reflexão

AS MISSÕES BRASILEIRAS E OS POVOS INDÍGENAS

O antropólogo Marcos Pereira Rufino escreveu, já faz algum tempo, sobre a atuação das missões junto aos povos indígenas, ressaltando como os missionários estão envolvidos em projetos de educação, saúde e auto-sustentação no Brasil.

A presença de missões entre os povos indígenas do país é uma realidade antiga. O quadro atual em que ocorre esta presença é complexo e envolve um conjunto heterogêneo de missionários. A evangelização dos povos indígenas é uma preocupação de muitas agências religiosas. Estas reproduzem no contexto da missão as suas características de agentes cristãos independentes, que representam diferentes igrejas e denominações, com teologias que muitas vezes se opõem.

Os protestantes

A ação de missionários protestantes é bem complexa. Além das centenas de grupos, que muitas vezes atuam sem compreender a diversidade cultural das tribos e comunidades indígenas, há também agentes missionários que se envolvem na política indigenista, confrontando a política da Funai. Mas, uma grande parte das atividades evangélicas estão, além de voltadas para a evangelização, também preocupadas com a educação e a saúde. 

É bastante conhecido o trabalho de sistematização lingüística realizado em diversos povos, cujos resultados são aproveitados não apenas para a tradução da Bíblia no idioma nativo, mas também para a estruturação de escolas indígenas e grupos de alfabetização. O desenvolvimento de ações dirigidas à saúde é freqüente em muitas missões protestantes evangélicas, ocupando o espaço deixado pelo Estado. Em alguns contextos, a atuação destas missões em programas de saúde é a principal forma que elas têm de legitimar a sua presença entre os índios e de justificar sua entrada em áreas de índios isolados.

Os grupos protestantes de maior destaque no cenário da política indigenista são o GTME (Grupo de Trabalho Missionário Evangélico) e o Comin (Conselho de Missão entre os Índios). Estas duas agências missionárias são próximas uma da outra. Apesar de estarem comprometidas com a evangelização dos povos com quem atuam, ambas enfatizam o envolvimento missionário na educação, saúde e movimento indígena, atuando conjuntamente na realização de diversas atividades neste âmbito.

Os católicos

A atuação da missão católica também não esconde a sua diversidade. Além do trabalho realizado pelas diversas ordens e congregações, cada qual com o seu projeto missionário próprio, há hoje a presença de missionários seculares, envolvidos com o plano pastoral da hierarquia catolica do país. Estes últimos estão, em sua grande maioria, ligados ao Conselho Indigenista Missionário, Cimi, órgão anexo à CNBB, criado com a finalidade de coordenar a ação católica missionária nacionalmente. Diferente dos missionários católicos das ordens e congregações, os cerca de 400 missionários do Cimi, distribuídos em 112 equipes, concentram a sua atuação na área da saúde, educação, movimento indígena e assessoria jurídica.

Nos últimos anos desenvolveram projetos de geração de alternativas econômicas, como o projeto de sustentatibilidade e ocupação territorial entre os Mura, cuja meta é a produção, beneficiamento e comercialização de frutas regionais. Ou o projeto de desenvolvimento entre comunidades indígenas de técnicas apícolas e de industrialização de frutas regionais no Amazonas. 

A inserção do Cimi visando a auto-sustentação de grupos indígenas se dá de modo peculiar: a elaboração de seus projetos é orientada por um espírito anticapitalista, de maneira a evitar propostas que carreguem vestígios de empreendimento empresarial que vise a obtenção de lucro ou acúmulo de riquezas. 

As propostas de auto-sustentação elaboradas pelo Cimi visam criar atividades de baixo impacto sobre as condições sociais e econômicas internas aos grupos indígenas. Estas propostas procuram fortalecer o sentido comunitário que estas atividades podem desempenhar.

Algumas vezes, os protestantes agem em parceria com os missionários católicos do Cimi na realização de atividades comuns. Podemos citar a sua participação conjunta no Comitê de Resistência Indígena, Negra e Popular, e na marcha indígena dos 500 anos, evento que propunha fazer uma contra-celebração dos festejos oficiais realizados pelo governo e pela Igreja Católica.

«Mas Deus dará glória, honra e paz a todos os que fazem o bem ». Romanos 2.10.

Fonte
Marcos Pereira Rufino, Nem só de pregação vive a missão. Povos Indígenas no Brasil. Outubro 2000. www.socioambiental.org/pib/portugues/indenos/missoes.

Para a quinta semana depois da Páscoa

Salmo 103.8-12.

“O Senhor é bondoso e misericordioso, não fica irado facilmente e é muito amoroso. Ele não vive nos repreendendo, e a sua ira não dura para sempre. O senhor não nos castiga como merecemos, nem nos paga de acordo com os nossos pecados e maldades. Assim como é grande a distância entre o céu a e terra, assim é grande o seu amor por aqueles que o temem. Quanto Oriente está distante do Ocidente, assim ele afasta de nós os nossos pecados”. 

A PACIÊNCIA

Vamos começar a analisar essa questão pela falta. É isso mesmo: quando falta paciência, quando ela acaba, cuidado! Você está em perigo! Vejamos alguns casos. Quando a paciência acaba, o marido agride verbalmente a esposa. Mas tarde, vai pedir a ela que esqueça, mas isso é quase impossível, a memória já registrou a ofensa. Algo parecido acontece quando a esposa lança um daqueles olhares de “não seja ridículo”, que entra mais afiado que punhal! Ou quando o pai vê a prova de Geografia do filho e grita: “Você é retardado? Qualquer menino da sua idade sabe que a capital da Argentina é Buenos Aires e você coloca La Paz?” E vai por aí a fora. Você deve conhecer muitos outros exemplos. O certo é que quando a paciência acaba, alguém vai sair machucado.

* Você já foi ferido pela impaciência de alguém? Conte para o grupo.

** Você já machucou alguém por causa da sua impaciência?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira O Espírito descerá sobre você Oséias 6.3

Terça-feira A Palavra dá vida Salmos 119.50

Quarta-feira Ele conserta o seu caminho Provérbios 3.5-6

Quinta-feira Ele está ao lado Salmos 34.18

Sexta-feira Você será recompensado Marcos 10.29,30

Sábado Confia e nada vai abalar você Salmos 125.1

Texto para reflexão

COM PACIÊNCIA, PLANTAMOS ESPERANÇA

A revista Veja há anos publicou uma matéria onde analisou a relação entre o crescimento dos evangélicos e o trabalho de ação social. Demonstrou que estamos crescendo a um ritmo muito maior que o próprio crescimento da população brasileira.

Mas, ao contrário da maioria das análises anteriores, mostra que tal crescimento está intimamente ligado ao benefício social que levamos às populações carentes.

Esse crescimento produz um efetivo benefício social. Fincadas nas comunidades carentes as igrejas evangélicas promovem a redução de vários índices negativos na vizinhança, começando pelo total de alcoólatras e terminando no número de ocorrências criminais.

"Quando uma igreja evangélica entra numa comunidade pobre, contribui para elevar a auto-estima dos moradores e gera um efeito disciplinador", afirma o sociólogo Rubem César Fernandes, diretor-executivo do movimento Viva Rio e pesquisador do Instituto de Estudos da Religião.

No discurso dos pastores, diz a reportagem, quem se converte a Cristo e a uma vida de princípios morais alcança tanto o perdão como a chance de mudar de vida. Assim, por exemplo, muita gente troca algum tipo de vício por uma vaga na escola.

No Rio de Janeiro, houve redução de homicídios nas favelas Cantagalo, Pavão e Pavãozinho à medida que, nos últimos anos, foram se instalando na região igrejas evangélicas. Com 20.000 moradores, a área chegou a ter dez assassinatos num único mês em 2000, excluídas as mortes decorrentes de confrontos entre traficantes e policiais. Nos dois anos seguintes, houve nove casos. Em 2003, nenhum. Outras entidades e a ação das autoridades também contribuíram, mas a própria polícia reconhece a importância da pregação do Evangelho. 

"As pregações, os testemunhos e as obras dos evangélicos ajudam a desarmar os espíritos", depõe o major Marco Aurélio Santos, comandante da Polícia Militar na área. 

Livres de amarras hierárquicas, os evangélicos agem depressa e colhem resultados. Na região metropolitana de Belo Horizonte, um centro de recuperação de dependentes químicos da Igreja Batista da Lagoinha tem índice de 40%, oito vezes melhor do que o considerado razoável pela Organização Mundial de Saúde. No sertão baiano, uma fazenda projetada por uma denominação evangélica gera renda para trinta famílias e dá escola a 500 crianças em período integral. Na Casa de Detenção de São Paulo, já desativada, 25% dos presos eram evangélicos. 

Cenários como esses explicam como um pastor que atuava da Casa de Custódia de Benfica, no Rio, pôde pôr fim, sozinho, à uma sangrenta rebelião na detenção. 

"Onde há miséria, eles têm a força", diz a antropóloga Clara Mafra, autora do livro Os Evangélicos.

Diante da constatação do poder da Palavra de Deus pelas autoridades do País, só podemos dizer: Ao Senhor nosso Deus toda a honra, poder e glória!

“A paciência traz a aprovação de Deus e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcionados, pois Deus derramou o seu amor no nosso coração por meio do Espírito Santo”. (Romanos 5.4).

Fonte 
José Edward, Revista Veja, edição 1861. 7 de julho de 2004.

Para a sexta semana depois da Páscoa

2Pedro3.9.

“O senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciência com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados”.

A PACIÊNCIA DE DEUS COM TODAS AS PESSOAS E COM OS CRENTES

Desde o livro do Gênesis até o Apocalipse vemos que Deus é paciente com todas as pessoas, mesmo com os orgulhosos, pecadores e rebeldes. Santo e justo, Ele poderia eliminar todos os que o ofendem, mas Ele ama o ser humano e sempre procura um jeito de estabelecer um relacionamento de amor com as pessoas. Ele é paciente e cheio de amor, tardio em se irar. Quando vemos sua paciência, sentimo-nos a demonstrar a mesma paciência que Deus nos dedica.

* Como Deus lhe demonstrava paciência antes de você se tornar um discípulo de Jesus?

** Como essa paciência de Deus impacta a sua maneira de se relacionar com as pessoas que não são espirituais?

Deus continua paciente como você, hoje. Veja, por exemplo, a paciência de Jesus com o apóstolo Pedro. Ele estava sempre ao lado de Jesus, viveu experiências maravilhosas, andou sobre as águas, mas na hora do aperto negou Jesus. Mas apesar da inconstância de Pedro, Jesus se manteve tolerante. E, depois da ressurreição, tirou um tempo para conversar com ele.

Deus trabalha a nossa paciência à medida que damos testemunho da enorme paciência que Ele tem conosco. A nossa impaciência vai se evaporando conforme entendemos o quanto Ele tem sido compassivo e amoroso conosco. Aos poucos, Deus vai amolecendo nosso coração e com calma vai enchendo-o de tolerância, compreensão e benevolência.

* Em que áreas da sua personalidade Deus tem demonstrado paciência, desde que você se tornou cristão?

** Você está lutando contra a impaciência em alguma área? Conte para o grupo. 

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Não desista Hebreus 10.35,36

Terça-feira Nada faltará Salmos 34.10

Quarta-feira Ele salva Salmos 116.6

Quinta-feira Para quem tem sede Isaias 44.3

Sexta-feira Ele vai terminar o trabalho Filipenses 1.6

Sábado Você também será coroado Isaías 51.11

Texto para reflexão

O BANQUETE DA PÁSCOA

Ela virou e respondeu em hebraico: Meu mestre!

[Montpellier, França] -- Na sala, o notebook toca música brasileira. Eu, Naira e Paloma convidamos quatro jovens para o almoço de páscoa: Andreas, alemão, que estuda engenharia; Georgine, de Barcelona, que estuda economia; Térèse, alemã, que estuda Teologia; e Serge, de Barcelona, que veio passar uma semana em Montpellier. Jovens cujas famílias estão longe, cristãos na diáspora acadêmica.

Enquanto eles conversam, Djavan canta que amar é um deserto e seus temores, e a vida vai na cela dessas dores. Lá fora, junto ao pinheiro, companheiro da janela da sala, a primavera chega a passos largos. Eu preparo coelho a caçadora e Naira manchon de canard. Essas serão as carnes do almoço. O almoço é a francesa, com toda a liturgia que isso implica. E os paralamas do sucesso dizem que o calibre do perigo é não saber de onde vem o tiro. 

Como vocês notaram estamos em pleno domingo de páscoa. E quando se fala de páscoa, se fala de morte, já que não haveria ressurreição se não houvesse morte. Donde, procedem os temores de Djavan e dos paralamas. E isso me leva à teologia.

Ao falar de páscoa, ao nos lembrarmos da ressurreição, nos vem à mente os dois dias e meio de silêncio e tristeza, que marcaram a pós-morte de Jesus. Por que esses quase três dias? Na verdade, eles fazem parte de uma pedagogia que transcende. Através desses quase três dias de silêncio e tristeza, Deus possibilitou aos discípulos a aprendizagem da unidade do corpo. Em meio ao silêncio daqueles que fogem e se escondem, em meio ao silêncio da dor da separação daquele que é querido, e da tristeza diante daquele que está morto, mas devia estar vivo, os discípulos se uniram, abandonaram velhas brigas e juntos oraram pela misericórdia daquele que é amor. 

A unidade foi selada por condições tão adversas. E Jesus levantou-se para dizer que o que separava não separa mais. Agora, ao invés de silêncio temos louvores; ao invés de tristeza, alegria; ao invés de morte, vida.

E assim, como a primavera que cobre de flores o jardim em frente de minha casa, que faz algumas semanas estava seco, a páscoa possibilita o encontro. Estamos reunidos ao redor de uma mesa, brasileiros, espanhóis, alemães. Oramos em francês, mas falamos também em português, espanhol, alemão. 

Quero dizer a Djavan que de fato há o momento do deserto, do temor e da dor, mas já não pode durar para sempre. Quero dizer aos paralamas que já sabemos de onde vem o tiro, por isso o perigo pode ser enfrentado. A mensagem é verdadeira e por isso o mundo será coberto pela justiça. O Cristo ressurreto nos une, e o mundo conhecerá sua glória e o amor que tem por nós. 

O banquete da páscoa estava delicioso, porque foi dividido, porque foi ágape de paz, amor e justiça. 

Jesus disse: Não me segure, pois ainda não subi para o meu Pai. 

Vá se encontrar com os meus irmãos 

e diga a eles que eu vou subir para aquele que é meu Pai e o Pai deles,

o meu Deus e o Deus deles. [João 20.16-17]. 

Para a sétima semana depois da Páscoa

A DELICADEZA 

Ou a beleza da sensibilidade

“Algum tempo depois morreu o rei Naás, do país de Amom, e seu filho Hanum se tornou rei. E Davi disse: 

-- Eu serei bondoso com Hanum, assim como Naás, o seu pai, foi bondoso comigo.

Então enviou mensageiros a Hanum para mostrar a sua amizade. Porém, quando os mensageiros chegaram à cidade de Rabá, as autoridades amonitas disseram ao seu rei:

-- O senhor pensa que é em honra do seu pai que Davi enviou estes homens para mostrar amizade? É claro que não! Ele os mandou aqui como espiões a fim de conhecerem a cidade, para poderem destruí-la.

Então Hanum pegou os mensageiros de Davi, raspou de um lado a barba deles, cortou as suas roupas até a altura das nádegas e os mandou embora. Quando Davi soube disso, enviou outros mensageiros para se encontrarem com eles porque eles estavam muito envergonhados. Davi mandou lhes dizer que ficassem na cidade de Jericó e que só voltassem quando as suas barbas tivessem crescido de novo”. 2Samuel 10.1-5.

De que maneira Davi demonstrar ter um coração terno e sensível nesta história: (1) para com o rei dos amonitas? (2) Para com o0s mensageiros que haviam sido humilhados?

Um rei de coração sensível

Como o Espírito Santo consegue transformar uma pessoa embrutecida em alguém sensível? No Antigo Testamento encontramos um homem duro e sensível ao mesmo tempo. A Bíblia destaca algumas de suas qualidades: corajoso, um dos maiores guerreiros de todos os tempos, alguém disposto a correr riscos. Seu nome era Davi, um rei para quem as dificuldades da vida não eram novidades. Foi o caçula de muitos irmãos. Por vários anos encabeçou a lista de desafetos do rei Saul. Muitos reis de outras nações quiseram matá-lo. Mais tarde, seu próprio filho tentou assassiná-lo e iniciou uma guerra civil para derrubá-lo do trono. Davi sabia o quanto a vida pode ser dura. Ainda assim, manteve o coração terno e sensível num mundo hostil.

Você acha que em coração delicado e sensível é sinal de fraqueza?

Como ser delicado

O objetivo do Espírito Santo é fazer de cada discípulo de Cristo uma pessoa sensível, delicada. O primeiro passo é nos ensinar a sentir empatia. Pessoas insensíveis reagem por reflexo ao ver alguém sofrendo. Pensam: “O problema não é meu. Ainda bem que não foi comigo. Espero que ela consiga dar a volta por cima. O tempo cura todas as feridas”. Não têm empatia. São incapazes de se colocar no lugar do outro. A infelicidade alheia não os atinge.

Em que situações Deus já o colocou para lhe amolecer o coração, diante de sofrimentos e necessidades de outras pessoas?

Davi sabia que nada pode substitui a participação ativa diante do sofrimento do outro. Ele poderia simplesmente ignorar a notícia de que seus mensageiros tinham sido humilhados em público. Afinal, era muito ocupado, tinha que reinar sobre uma nação inteira. Mas sabia que determinadas situações pedem um envolvimento pessoal, de forma que estendeu a mão para aqueles homens e cuidou deles. Não ficou apenas enternecido, mas experimentou a mesma dor e vergonha deles. 

Descreva uma situação em que você tomou conhecimento da dor e luta que uma pessoa estava passando. Como você se sentiu? O que você fez? 

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Tecnologia Salmo 8:3-9.

Terça-feira O Jogo 2Tessalonicenses 3:10-13

Quarta-feira A Magia Deuteronômio 18:9-14

Quinta-feira A filantropia Lucas 12:13-21

Sexta-feira Meios de graça 2Timóteo 4:16-18

Sábado Começo de conversa Gênesis 1:26-31

Crônica para reflexão

AINDA O TEMA DA DELICADEZA

Rachel Stivelman

No dia 7 de julho de 2000, o querido poeta Affonso Romano de Sant'Anna publicou um artigo com o título ''Tempo de delicadeza''. Peço permissão para citar alguns trechos e tecer a partir deles alguns comentários. Ele começa dizendo: 

''Sei que as pessoas estão pulando na jugular umas das outras. Sei que viver está ficando dificultoso. Mas talvez por isto mesmo, ou talvez devido a este maio azulzinho, a este outono fora e dentro de mim, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente, nesta crônica, varando os tiroteios, os seqüestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros nas esquinas da televisão e do cinema com a vida''. 

O outono penetrando na alma do poeta permite, por contraste, que ele veja e lamente com mais delicadeza a violência, a agressividade, a dureza dos nossos dias de hoje. Passou de moda, é inútil, é defasado ser delicado hoje. O poeta conclama um retorno à delicadeza, propõe poeticamente um manifesto a seu favor. Menciona a urgência de revertermos este quadro e invoca a delicadeza de São Francisco, ou a de Gandhi, um tanto quanto rija, ou ainda a de Che Guevara que andou dizendo: ''Endurecer, sem jamais perder a ternura''. Onde anda a ternura nos relacionamentos modernos? Onde os profissionais da delicadeza, como o autor se refere e exemplifica com o doce e sedutor Vinicius de Moraes; que se auto denominava um meigo energúmeno. É seu este verso lindo, do poema ''Elogio ao primeiro amigo'': ''Não sou bom, nem mau, sou delicado''. 

Como bem lembra Sant'Anna, há povos tradicionalmente delicados, como os ingleses, por exemplo, tão bem retratados nos filmes que têm lugar no século passado. São suas palavras textuais: ''Os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de serem cruéis que parece um privilégio sofrer nas mãos deles''. Os exemplos de delicadeza que ele almeja e que muitos, como eu, endossam de imediato, como a delicadeza que ele classifica de pueril de algumas áreas do divino Mozart; a delicadeza luminosa dos quadros de um Vermeer; ou a delicadeza comovente dos adágios - fazem tanto bem à alma. Agressividade gera agressividade; uma ação violenta seguramente pode provocar uma reação de igual violência. Os homens se atacam mutuamente no seu relacionamento cotidiano, as forças policiais atacam os rebeldes, os governos são violentos com os desvalidos, as autoridades permitem, por exemplo, que a situação da saúde no Rio de Janeiro atinja a calamidade que presenciamos. Eis aí alguns exemplos de ausência total de delicadeza. 

Terminando esta preciosa crônica, Sant'Anna menciona o fato de que existe uma relação entre delicadeza e lentidão, da qual ele chega a fazer uma apologia, lembrando a historiadora Denise Bernuzzi de Sant'Anna que publicamente fez o elogio da lentidão e denunciou a ferocidade da cultura da velocidade. 

Há de concordar plenamente com a afirmativa de que estamos quase todos esquecendo de viver com plenitude porque a pressa de viver tomou conta de muita gente. Nesta pressa angustiante, não se chega a lugar nenhum. A vida merece ser saboreada e um dos seus melhores temperos é ainda, e sempre, a delicadeza. Voltemos, pois, a sermos um pouco mais delicados! Vai valer a pena!

Fonte
Rachel Stivelman, Ainda o tema da delicadeza, Jornal do Brasil, 17/12/2005. 

Para a oitava semana depois da Páscoa

A BONDADE

Ou o desafio de ser generoso e benigno

Um homem caído à beira do caminho

Um homem viajava de Jerusalém para Jericó. No caminho foi assaltado por bandidos que além de roubarem todos seus pertences, o maltrataram, abandonando-o ferido, quase à morte. Na história, contada por Jesus, as pessoas não são identificadas pelos seus nomes, mas caracterizadas por suas funções e ações. O homem assaltado é um anônimo: talvez um viajante. 

É alguém desprotegido, no momento sem amigos, sem dinheiro. Sozinho no mundo, como milhões de outros por aí. Lá está ele: jogado à beira da estrada, caído na sarjeta. 

Entram em cena, então, aqueles que tinham a solução do problema nas mãos: um sacerdote e um levita. Diz a palavra de Deus: "Acontece que um sacerdote estava descendo por aquele mesmo caminho". 

Mas, será que o sacerdote parou para ajudá-lo? Não! A Bíblia fala que o sacerdote passou de lado, ou seja, tentou ignorar aquela situação. Não quis se envolver, nem se incomodou com o pobre miserável. 

Quem sabe o sacerdote havia trabalhado todo fim de semana. Estava cansado. Queria repousar e ficar me paz. E afinal de contas o que tinha acontecido com aquele estranho não era da sua conta. 

A história continua: Também um levita passou por ali, e vendo-o também passou de largo. 

O sacerdote nem sequer olhou para o ferido viajante. O levita, quem sabe, preocupado, pensou que poderia ser um parente ou um amigo. Deteve-se por um instante, olhou, e como não o reconhecesse, seguiu seu caminho. 

E lá estava o coitado no chão, quase a morrer. Será que ninguém se preocuparia com ele? Será que ninguém se importava? Não havia uma alma bondosa por ali?

Neste momento apareceu um inimigo, ou seja, um samaritano, um estrangeiro. Ora, durante os últimos 800 anos os judeus não se davam com os samaritanos, porque em 722, os reis da Assíria tomaram Samaria e substituíram seus habitantes por babilônios e sírios, que trouxeram suas tradições e crenças religiosas diferentes daquelas dos judeus. 

Para os judeus, os samaritanos eram inimigos. Eram considerados como cães. 

Mas, lá estava o coitado no chão. Sentiu que alguém parou, desceu da montaria e se aproximou dele. Quem seria? Oh, impossível! Era um samaritano! 

E o bondoso samaritano teve pena dele. Fez curativos em seus machucados, aplicou azeite e vinho. Colocou-o em cima do seu próprio animal e o levou para uma hospedaria. No dia seguinte, pagou ao dono da hospedaria pela estada do homem e disse: cuida dele e, se você gastar mais, eu pago quando voltar. 

Ao Jesus terminar a história Jesus perguntou: "quem foi o próximo do homem assaltado? E o intérprete da lei respondeu: "aquele que foi bondoso com ele". E ele estava correto. [Leitura livre a partir de Lucas 10.25-35].

Você já viveu alguma experiência em que teve a oportunidade de crer fazendo? Como você explica esta idéia do apóstolo Tiago: “A religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições". Tiago 1.27 

Quando Jesus terminou de contar a história do bom samaritano, disse para o doutor da lei: "Vá e faça a mesma coisa". O que ele quis dizer com isso?

Se você fosse um dos integrantes da história do bom samaritano, quem seria você? O sacerdote, o levita ou o bom samaritano?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira A queda e o esconderijo Gênesis 3:6-24.

Terça-feira Pergunta para cada um Gênesis 4:2-12

Quarta-feira Ações falam mais alto Gênesis 7:1-5

Quinta-feira Sobreviver ao temporal Gênesis 9:8-17

Sexta-feira Nome famoso Gênesis 11:1-9

Sábado Conversa e promessa Gênesis 12:1-8

Crônica para reflexão

AS FRONTEIRAS DA TÉCNICA

Gustavo Corção

[trecho]

(...) Aconteceu quando ainda estavam em trajeto os engenheiros e auxiliares da comissão, descendo o Paraná numa barcaça de rodas chamada Rio Brilhante. Certa tarde, após quatro ou cinco dias de viagem, na véspera de chegar a Guaíra, ou Sete Quedas, o vaporzinho entrou numa enseada natural e veio encostar na floresta. Estávamos na estação das grandes águas. Era o rio engrossado que invadia a mata, mas a nós nos parecia que eram os troncos, as árvores, empurradas umas pelas outras, como se houvera um grande motim na floresta, que se precipitavam no rio.

— Que coisa! dizia eu maravilhado.

— Safa! murmurava a meu lado um lacônico companheiro que tirara o cachimbo da boca e considerava aquele transbordamento vegetal que nunca imagináramos.

Desembarcamos. O vapor precisava de umas reparações nas caldeiras. Tínhamos três horas de terra, que podíamos aproveitar para uma excursão nas cercanias. Munidos de bússola e podômetro, armados de faca e revólver, um colega e eu entramos no mato seguindo um fio d'água que vinha trazer seu modesto tributo de vassalo ao Paraná.

Ao cabo de alguns minutos de marcha perdemos de vista o prateado do rio, o fio d'água, o céu, o chão, sim, a terra do chão, e nos achamos dentro do mundo exclusivamente vegetal, cercados de folhas úmidas, de liames, espinhos, cipós e troncos, como se todo o universo estivesse ali a emergir do nada na sua primeira tumultuosa e desordenada afirmação de existência. A própria terra desaparecera debaixo de um colchão espesso de folhas secas, troncos caídos, detritos, tudo úmido, fofo, a exalar o acre cheiro da morte vegetal.

Abrindo caminho a facão, avançamos palmo a palmo, penetrando na polpa verde-escura. Éramos talvez os primeiros homens, talvez mesmo os primeiros animais de porte, a desbravar a carapinha intonsurada daquele capoeirão. Adiante encontramos novamente o fio d'água que andara sumido entre as raízes trançadas e o sedimento espesso de folhas mortas; e foi aí que apareceram as borboletas azuis. Foi uma festa. Elas vinham às dúzias, e esvoaçando em torno de nós traziam àquele sombrio buraco vegetal outra cor, reflexos de uma vida mais autônoma e mais leve. Traziam-nos também um pouco de nossa infância. “Ai que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida”... recitava o meu companheiro. Logo porém se alteraram nossos sentimentos quando a nuvem de reflexos azuis se avolumou. Já não era poesia, era praga. Tudo ali naquele mundo espesso tinha de ser desmedido e brutal. Andávamos agora a sacudir os braços e a cabeça, soprando e bufando, para que elas não nos entrassem nos olhos, no nariz e na barba. Num certo momento contei mais de trinta no chapéu do colega, sem falar nas outras ainda mais numerosas que lhe marchetavam de azul elétrico a camisa, as calças e as botas. Lembrando-me as bandejas e abajures que a praça Mauá oferece aos turistas, deu-me um ataque de riso. O colega, voltando-se, achou em mim o mesmo espetáculo: e ficamos os dois a rir naquele buraco verde que de certo ouvia pela primeira vez um riso de gente.

Foi nesse momento que o meu colega fez um sinal, e chamou-me a atenção para um som esquisito que vinha do nordeste. Não, eram dois sons. Um ritmado, “batendo o segundo” como dissemos em termos astronômicos; e outro escorrido, monótono e plangente. Dobramos à esquerda abrindo caminho entre cipós e espinhos. A floresta tornava-se mais rala, já deixando entrever uma nesga de céu. Os dois ruídos cresciam: o ritmado mantinha o seu sincronismo com as pêndulas siderais; o outro, mais agudo, persistia na sua coleante monotonia, fio de som como o fio d'água que ficara para trás, cantilena agridoce...

De repente achamo-nos numa clareira presidida por um enorme jequitibá, e ali tivemos a explicação do esquisito dueto: era um homem de cócoras que cavava, uma mulher em pé que gemia, e junto dela, no chão, imóvel entre revoadas de borboletas azuis, um corpinho escuro, magro, torcido e coberto de nódoas vermelhas, como uma raiz que tivessem retirado ainda em brasa da fogueira. O homem olhava para nós com ódio e pavor. A mulher, suspendendo a cantilena e esquecendo a criança morta, fixava-nos com os olhos vazios. Foi o colega que falou primeiro:

— Então? O que é que há?

Prorrompeu em gritos a mulher enquanto o homem, sem largar a faca, olhava para a direita e para a esquerda com desespero sombrio. Aproximamo-nos com gestos cordiais; e gastamos longos minutos até que eles vertessem em língua de gente o pavor que traziam. A criança estava realmente morta; era um menino; teria quando muito ano e meio. Alargamos o buraco com nossas facas e ajudamos o homem a plantar aquela raiz escura e torcida que voltava ao húmus depois de uma breve e malograda excursão pela clara pátria dos vivos.

Meu colega, com seu extraordinário canivete de doze lâminas, pôs-se a cortar e a lavrar duas varas brancas de piquiá-marfim, enquanto o desconhecido nos contava a sua história acompanhada pelo gemido manso da mulher. O menino morrera de mosquito. Fora devorado, intoxicado pelos milhões de mosquitos que à noite engrossam o ar daquelas regiões alagadas. Chorara a noite toda. De manhã ainda estava com vida, mas na hora do sol alto parara de chorar. Eles vinham de longe, dos ervais. Tinham “caído no mato.” Iam procurar trabalho em outras terras... Nós levamos tempo a entender a história. O sertanejo começa as histórias pelo meio, mencionando nomes e fatos que ele imagina universalmente conhecidos.

Conseguimos afinal pegar o fio da narração que só mais tarde, quando chegarmos aos ervais, se tornará perfeitamente clara para nós. Sim, dentro de poucas semanas saberemos que os trabalhadores da empresa ganham um salário calculado pela metade do que estritamente precisam para comer. A outra metade será concedida generosamente a título de empréstimo. Como porém os homens não podem ordinariamente comer dia sim dia não, acontece o que os técnicos da empresa calcularam com rigor matemático: a dívida dos trabalhadores crescerá infalivelmente na proporção do trabalho. Quanto mais trabalharem mais escravos serão. E só têm uma possibilidade de libertação: a noite, a espessura da floresta, e a coragem de enfrentar os capitães-de-mato que lhes saem ao encalço com espingardas, e que não vacilam em prostrar o rebelde devedor em nome da ordem e da justiça.

Nós vimos de perto esses escravos. Entram no mato para extrair a folha, e deixam o trapo de camisa pendurado num galho. Quando perguntamos a razão desse costume, um deles nos respondeu simplesmente:

— A pele costura sozinha.

Saem do mato sangrando. Esgalham então a planta, separam as folhas, e fazem fardos de sessenta quilos que carregam nas costas, ao fim do dia, até o armazém, três, quatro léguas, num passo miúdo e igual que procura imitar o das mulas. Experimentamos o peso e a marcha por uma centena de metros de chão mole, escorregadio e espinhoso: por mim posso garantir que não era cômodo. Experimentamos também o locro, pratarraz de milho bichado com rodelas de uma gordura equívoca: posso também asseverar que não é agradável. Mas eles agüentam anos. Creio que a força deles vem da sanfona e do bate-pé-noturno, e das morenas cunhãs que aparecem com flor no cabelo e charutinho num canto da boca enquanto o outro fica livre para cuspinhar com faceirice desdenhosa... De tempos em tempos foge um. Às vezes com mulher. Às vezes com criança.

Quando o homem terminou sua história o meu colega terminava também o encaixe das duas varas de piquiá-marfim. Um cipó prendeu os dois braços da cruz, na falta de prego. O cipó escuro, torcido, onde só faltavam as brasas de sangue, lembrava o corpo magro do defuntinho. E então, enquanto o meu amigo fincava o pau no chão, eu baixei a cabeça, com vergonha de encarar aquele casal humano.

À noite, deitados no tombadilho da barca, com um céu exageradamente estrelado proposto aos nossos olhos astronômicos, o meu colega e eu fumávamos em silêncio. O navio deslizava devagar dentro da noite. O jequitibá, comido pelo negrume, absorvido pela demagogia da floresta, ficara para trás, perdido, insignificante. Ainda mais perdida e insignificante era a vara de piquiá-marfim cortada em duas pelo canivete de doze lâminas que meu amigo possui com mal disfarçado garbo.

— Horrível! disse ele então, laconicamente.

Não respondi. Diante de mim estava o Centauro e o Cruzeiro do Sul. Muitas vezes, no sertão, deitado ao relento e sem poder dormir, eu revia a rua Haddock Lobo, onde deixara minha mãe a chorar, e onde minha irmã, no último quarto de hora de despedida, tocara um prelúdio de Chopin. Certas noites, não sabia como, abria-se um clarão no céu escuro e eu via, num recreio ensolarado de colégio, um vestido claro de menina correndo ao meu encontro. Ou então, outras vezes, sem cenário, isolado como uma belíssima borboleta branca, mansa e única, ficava o vestido claro a me acenar do céu.

Mas naquela noite eu não via em alfa e beta do Centauro as lágrimas de minha mãe, nem via as notas de Chopin nos luzeiros do céu. O vestido claro também não veio dançar no limiar de meu sonho, porque o defuntinho escuro era uma nuvem que enchia o céu e tapava o brilho das constelações. Ora, foi nesse momento que eu contraí a dívida, a primeira de que trata este capítulo. Lembram-me bem os detalhes, quase as palavras:

— Ah! se eu soubesse escrever, se eu tivesse um jornal... contaria tudo! Você já pensou numa coisa? Os acionistas por estas horas estão acabando de jantar. Vão ao teatro. Ou visitam-se e conversam sobre automóvel e política. As filhas dos acionistas estão dormindo. Amanhã cedo serão levadas por babás de touca e uniforme ao colégio de freiras. E as bondosas professoras das filhas dos acionistas ensinarão que em treze de maio de mil oitocentos e oitenta e oito foi abolida a escravidão.

Fonte
Gustavo Corção, As fronteiras da técnica, Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 1963, pp. 35-41.

Para a nona semana depois da Páscoa

A FIDELIDADE

Ou o desafio de ser leal e zeloso

“Cumpra a sua missão com fidelidade, para que ninguém possa culpá-lo de nada, e continue assim até o dia em que o nosso Senhor Jesus Cristo aparecer”. 1Timóteo 6.14. 

O que é fidelidade?

Fidelidade significa: permanecer agarrado a um compromisso, mesmo depois que passar a euforia. Manter a palavra, apesar das complicações. Cumprir a promessa, ainda que isso custe mais do que se imaginava. Continuar dizendo não à tentação de aproveitar a oportunidade para cair fora. Persistir na busca de solução dos problemas de um relacionamento, em vez de descartá-lo como uma latinha de guaraná. Insistir num projeto, conduzindo-o da melhor forma possível até o fim. Recusar-se a pular do navio mesmo quando as adversidades já estiverem invadindo o convés do casamento, do relacionamento com os filhos, do ministério ou da relação com outras pessoas. Manter-se firme no relacionamento com Jesus, não importando o quanto isso custe.

Pense um pouco e converse com o grupo sobre o que você entende, na prática, por fidelidade.

Em Apocalipse 2.10 somos desafiados a ser fiéis até a morte. Como você vive isso no seu dia-a-dia?

O primeiro passo no processo que vai fazer de você uma pessoa fiel é dado pelo Espírito Santo, que vai convencer você da fidelidade infalível de Deus para com você. “Tu és Fiel” é um hino que celebra a fidelidade imutável de Deus. “Dia após dia/ com bênçãos sem fim”e, no final, “Tu és fiel/ fiel a mim”. 

Vamos juntos, a capela, cantar agora “Tu és fiel”. Depois, dar um pequeno testemunho da fidelidade de Deus na vida de cada um dos membros do grupo. 

Todos nós já assistimos a um casamento. A noiva e o noivo, diante de Deus, prometem publicamente ser fiéis um ao outro. Dão a sua palavra perante o céu e a terra. Mas o tempo passa e, em muitos casos, o vento leva a palavra empenhada. Mas Deus espera que a fidelidade permaneça, tanto nas grandes, como nas pequenas coisas. Como discípulos de Cristo nossas atitudes devem ser coerentes com as nossas palavras.

Para o grupo discutir: como a falta de fidelidade pode ter um impacto negativo nas diferentes áreas da nossa vida?

Em que área ou situação você precisa aprofundar sua fidelidade?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira O medo toma conta Gênesis 12:10-13

Terça-feira Deus em ação Gênesis 12:10-20

Quarta-feira Separar pela paz Gênesis 13

Quinta-feira Mais uma vez Gênesis 15

Sexta-feira Um jeito melhor Gênesis 16

Sábado Novos nomes Gênesis 17:1-22

Poema para reflexão

CANÇÃO NA PLENITUDE
Lya Luft


Não tenho mais os olhos de menina

nem corpo adolescente, e a pele

translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura

agrandada pelos anos e o peso dos fardos

bons ou ruins.

(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo

o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir

quando em outros tempos choraria,

busca te agradar

quando antigamente quereria

apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza

e juventude agora: esses dourados anos

me ensinaram a amar melhor, com mais paciência

e não menos ardor, a entender-te

se precisas, a aguardar-te quando vais,

a dar-te regaço de amante e colo de amiga,

e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável

cujas marés — mesmo se fogem — retornam,

cujas correntes ocultas não levam destroços

mas o sonho interminável das sereias.

Fonte
Lya Luft, Secreta Mirada, Editora Mandarim, São Paulo, 1997, p. 151. 

Para a décima semana depois da Páscoa

A HUMILDADE

A virtude daquele que conhece suas limitações

Uzias tinha 16 anos quando seu pai foi assassinado e ele se tornou rei de Judá, no oitavo século antes de Cristo. A história de seu reinado, que é registrada em 2Crônicas 26, ensina uma lição poderosa sobre a importância da humildade. Uzias começou bem. Ele respeitava o Senhor e sua palavra, e Deus o abençoou abundantemente. O reino se expandiu e o rei fiel conseguiu dominar seus inimigos. Sua reputação se espalhou a outros países. Uzias se fortaleceu.

Então, tudo mudou. "Porém, quando se tornou assim poderoso, Uzias ficou cheio de orgulho, e essa foi a sua desgraça. Ele pecou contra o Senhor, seu Deus, pois entrou no Templo para queimar incenso no altar do incenso" (2Crônicas 26.16). Uzias era um homem escolhido por Deus para conduzir seu povo. Durante muitos anos, Uzias serviu o Senhor com humildade. Porém não estava autorizado a entrar no templo para queimar incenso. Esse papel estava reservado para outros homens escolhidos por Deus, os sacerdotes, que serviam no templo. Uzias, não estando mais contente com o desempenho do papel que Deus lhe havia dado, tentou assumir uma função extra e foi repreendido por seu erro.

A humildade é fundamental para nossa comunhão com Deus

Quando Jesus pregou o sermão onde definiu o caráter do verdadeiro discípulo, suas palavras iniciais foram diretas ao coração: "Felizes as pessoas humildes, pois receberão o que Deus tem prometido" (Mateus 5.3). Ele continuou a pregar, mas muitos ouvintes permaneceram surdos, porque não entenderam o ponto de partida: a humildade. Hoje, ainda, a mensagem do Evangelho cai em ouvidos surdos de homens e mulheres arrogantes que não querem reconhecer a posição de Jesus como Senhor.

Mas Jesus não reduziu os padrões. Ele não abriu uma porta extra para entrarem os arrogantes ou os quase humildes. Ele manteve intacto o requisito fundamental, porque reflete a exigência eterna de Deus. Deus não aceita pessoas orgulhosas, que pensam fazer as coisas a seu próprio modo. Deus aceita os humildes. Uma geração depois de Uzias, o profeta Miquéias citou as palavras de Deus: "O Senhor já nos mostrou o que é bom, ele já disse o que exige de nós. O que ele quer é que façamos o que é direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao nosso Deus" (Miquéias 6.8). As Escrituras deixam claro que não há outra maneira de caminhar com Deus. Ou andamos humildemente com nosso Deus, ou não andamos com ele!

Quem é arrogante e egoísta quer ser servido, mas não quer servir. Sem humildade não seremos discípulos. Os orgulhosos querem ser chefes e cobiçam posições e influência. Este foi o problema que Arão e Miriã tiveram em Números 12, e o mesmo pecado que custou as vidas de quase 15.000 pessoas, em Números 16.

Qual é o seu problema com a humildade? 

Sem humildade não buscaremos realmente a verdade. O homem orgulhoso pensa que já conhece as respostas, e não quer depender de quem quer que seja, nem mesmo do próprio Deus. A arrogância também impede nosso entendimento da verdade. Se não queremos admitir a necessidade de mudança, ou não queremos aceitar o fato que alguma outra pessoa sabe mais do que nós, nosso orgulho será um bloqueio fatal para o estudo eficaz da Bíblia.

Você gosta de estudar a Bíblia em grupo? Qual a importância da Escola Bíblica Dominical para você?

Sem humildade não reconheceremos nossos próprios defeitos. Somos até capazes de enganar nossos próprios corações para não vermos nosso próprio pecado. Saul fez isto quando defendeu sua desobediência na batalha contra os amalequitas. Ele argumentou que tinha obedecido o Senhor e que o povo tinha errado (Leia 1Samuel 15.20-21). Deus não aceitou esta desculpa esfarrapada, e não aceita a nossa.

* Você tem sido humilde para reconhecer diante de Deus os seus defeitos?

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Para Deus tudo é possível Gênesis 18:1-15

Terça-feira Negociando com Deus Gênesis 18:16-33

Quarta-feira Emergência, urgência Gênesis 19:1-29

Quinta-feira Deus traz o riso Gênesis 21:1-7

Sexta-feira Deus proverá Gênesis 22:1-19

Sábado A oração de um servo Gênesis 24:1-16

Crônica para reflexão

A COMPLICADA ARTE DE VER
Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Fonte
Rubem Alves, A complicada arte de ver, Sinapse, Folha de S. Paulo, versão on line publicada em 26/10/2004.

Para a décima-primeira semana depois da Páscoa

O DOMÍNIO PRÓPRIO

Ou a qualidade daquele que sabe se controlar e manter o equilíbrio 

Como vimos neste trimestre, na carta aos Gálatas 5.22-23, Paulo nos fala do fruto do Espírito Santo, que deve ser desenvolvido em nossas vidas: amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, humildade e domínio próprio.

Há uma luta entre a natureza humana e o Espírito Santo em nossas vidas. E o objetivo dessa luta, por parte da natureza humana, é nos afastar do fruto do Espírito. Por isso, o fruto inteiro é fundamental para uma vida abundante, porém, nesta última lição, destacaremos o domínio próprio.

Atualmente, a grande maioria das pessoas age por impulso, não pensa sobre decisões e sobre conseqüências. As pessoas agem impulsivamente. Políticos destroem carreiras por decisões impulsivas. Casamentos são desfeitos por decisões impensadas. Artistas ficam em situações difíceis por atos públicos impensados. Por isso, o apóstolo Paulo nos fala do exercício do domínio próprio como forma de atingirmos o que desejamos do jeito que Deus quer.

Como obter domínio próprio

Há obstáculos para o exercício do domínio próprio. Um temperamento descontrolado é fator que dificulta o exercício do domínio próprio, contudo não deve ser uma desculpa. É que o temperamento pode e deve ser controlado pelo Espírito Santo. O apóstolo João, que tinha o apelido de filho do trovão, porque era estourado, e pediu a Jesus que derramasse fogo do céu quando o povo não quis ouvi-lo, teve seu temperamento controlado pelo Espírito Santo, e foi transformado no apóstolo do amor.

E a falta de comunhão com Deus também facilita a irritabilidade e a perda de controle. 

Mas como desenvolver o domínio próprio? Lembre-se que é fruto do Espírito Santo: é o resultado de uma vida colocada nas mãos dele. Logo, o primeiro passo para se obter o domínio próprio é ter uma real experiência de vida com Jesus. O segundo passo é permitir que a palavra de Deus guie nossa vida. E o terceiro passo é buscar uma vida de oração diante de Deus.

Agora, converse com o grupo:

Você sofre desse mal? Em que áreas da sua vida você necessita de mais auto-controle: na área financeira, na área afetiva, nos relacionamentos? 

Depois de todos falarem, o grupo deve orar e pedir a Deus que o seu Espírito Santo faça frutificar na vida de cada um o domínio próprio.

Durante a semana medite nos seguintes textos e converse com Deus

Segunda-feira Na balança Gênesis 25:19-34

Terça-feira As palavras de um pai Gênesis 27:1-29

Quarta-feira Conversa consigo mesmo Gênesis 27:41-45

Quinta-feira Misericórdias de viagem Gênesis 28:10-22

Sexta-feira A viagem de volta Gênesis 32:1-12

Sábado Lutando com Deus Gênesis 32:22-32

Crônica para reflexão

O VÔO DA ÁGUIA
Affonso Romano de Sant'Anna

(Trecho)

Já que estamos nesse clima de recomeçar, com a alma limpa para novas coisas, vou iniciar transcrevendo algo que recebi. Havia pensado em outra crônica, coisa tipo "propostas para um novo milênio", como o fez Ítalo Calvino. Mas às vezes um texto parabólico, elíptico, pode nos dizer mais que outros pretensamente objetivos. Ei-lo:

"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.

Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.

A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos."

Esse texto foi mandado como um cartão de fim de ano pela Rose Saldiva, da Saldiva Propaganda. Tem mais um parágrafo explicitando, comentando essa parábola e o título geral é "Renovação".

Achei que você ia gostar de tomar conhecimento disto, sobretudo quando janeiro nos inunda com sua luz. Este texto vale mais que mil ilustrações. (...)

A abertura é seca e forte. Não há uma palavra sobrando. Parece as batidas do destino na Quinta Sinfonia de Beethoven. Releiam. "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.” Já li em algum lugar que Jung dizia que, em torno dos 40, alguma coisa subterrânea começa a ocorrer com a gente e os seres humanos sentem que estão no auge de sua força criativa. É quando podem (ou não) entrar em contato com forças profundas de sua personalidade.

Já ouvi de especialistas em administração de empresas que tem uma hora em que elas começam a crescer e seus dirigentes têm que tomar uma decisão — ou fazem com que cresçam de vez assumindo mais pesados desafios ou, então, fecham, porque ficar estagnado é apenas adiar a morte.

Já mencionei em outras crônicas o personagem Jean Barois (de Roger Martin du Gard) que fez um testamento aos 40 anos, quando achava que estava no auge de sua potência intelectual, temendo que na velhice, carcomido e alquebrado, fizesse outro testamento que negasse tudo aquilo em que acreditava quando jovem. Com efeito, envelhecendo, fez realmente outro testamento que desautorizava e desmentia o anterior. É que sua perspectiva na trajetória da vida mudara, como muda a de um viajante ou a do observador de um fenômeno.

O ano está começando. Mais grave ainda: um século está se iniciando. Gravíssimo: mais que um ano, mais que um século, um novo milênio está se inaugurando. Três vezes Sísifo: o ano, o século, o milênio.

Sísifo — aquele que foi condenado a rolar uma pedra montanha acima, sabendo que quando estivesse quase chegando no topo — cataprum!... a pedra despencaria e ele teria que empurrá-la, de novo, lá para o alto.

Pois bem: "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Nesta idade suas unhas estão compridas. Não conseguem mais agarrar as presas das quais alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.” 

Nossa sociedade pensou ter inventado uma maneira de resolver, nos seres humanos, o drama da águia: a cirurgia plástica. Silicone aqui e acolá, repuxar a pele acolá e aqui, pintar e implantar cabelos. Isto feito, a águia sai flanando pelos salões, praias, telas, ruas, escritórios e passarelas.

Mas aquela outra águia prefere uma solução que veio de dentro. Talvez mais dolorosa. Recolher-se a um paredão, destruir o velho e inútil bico, esperar que outro surja e com ele arrancar as penas, num rito de reiniciação de 150 dias.

Então a águia, digamos, acabou de descasar. (Tem que redimensionar seu corpo e seus desejos, desmontar casa e sentimentos, realocar objetos e sensações, reassumir filhos.)

Então a águia, digamos, acabou de perder o emprego. (Tem que descobrir outro trajeto diário, outras aptidões, enfrentar a humilhação.)

Então, a águia, digamos, acabou de mudar de país.

(A crise ou o amor levou-a a outras paragens, tem que reaprender a linguagem de tudo e reinventar sua imagem em outro espelho.)

Então, a águia, digamos, acabou de perder alguém querido. (É como se uma parte do corpo lhe tivessem sido arrancada, sente que não poderá mais voar como antes, que o azul lhe é inútil.)

Então, a águia, digamos, está numa nova situação em que está sendo desafiada a mostrar sua competência. (Tem medo do fracasso, acha que não terá garras nem asas para voar mais alto.)

Então, a águia, digamos, andou olhando sua pele, sua resistência física, certos achaques de velhice. Pois bem. Há que jogar fora o bico velho, arrancar as velhas penas, e recomeçar. (...)

Fonte: 
Affonso Romano de Sant'Anna, O vôo da águia, O Globo, 2o. Caderno, 03/01/2001, p. 8.