lundi 22 décembre 2008

Pensar a natureza, pensar a vida

"Assim Elohim criou os seres humanos; os criou parecidos com Elohim. Ele os criou homem e mulher e os abençoou, dizendo: Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. E tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão. Para vocês se alimentarem, lhes dou todas as plantas que produzem sementes e todas as árvores que dão frutas. Mas, para todos os animais selvagens, para as aves e para os animais que se arrastam pelo chão, dou capim e verduras como alimento. E assim aconteceu. E Elohim viu que tudo o que havia feito era muito bom. A noite passou e veio a manhã. Esse foi o sexto dia." Gênesis 1.27-31.

Nos relatos da construção do Universo e da natureza, que encontramos nos dois primeiros capítulos do livro de Gênesis, o ser humano é a única criatura feita à imagem e semelhança de Elohim. Mas, a história da criação não termina aí, pois na seqüência Elohim aprecia a sua obra e descansa. Assim, o sentido do Universo e do que existe não está no ser humano, mas está no próprio Elohim.

As ameaças à sobrevivência do planeta são assustadoras. Existem guerras e falta de estabilidade política em várias partes do mundo. Há indefinição sobre o controle e desenvolvimento de armas nucleares, poluição industrial que afeta a terra, a atmosfera e as águas. Há, também, desertificação, perda de solo e de florestas. Como parte desses problemas não existia no mundo antigo, é lógico que não encontremos referências bíblicas específicas para essas questões.

"Fizeste com que corressem fontes e riachos e secaste grandes rios. Criaste o dia e a noite, puseste o sol, a lua e as estrelas nos seus lugares. Marcaste os limites da terra e fizeste o verão e o inverno." Salmo 74.15-17.

Mas, as Escrituras judaico-cristãs oferecem amplas perspectivas no que diz respeito à relação entre a humanidade e o ecossistema. Especificamente, oferecem bases para se avaliar as necessidades ecológicas. Desta forma, é possível desenvolver uma perspectiva vétero e neotestamentária do meio ambiente e do ser humano dentro desse contexto, em suas múltiplas dimensões – a relação e dependência da natureza, e a relação e dependência àquele que criou a natureza.

Existe uma ecologia bíblica, que envolve o uso responsável e sustentável dos recursos da natureza e a transformação das dimensões culturais, econômicas e políticas da vida. Isto inclui a recuperação do sentido bíblico de cuidado, que implica em administração responsável. Da mesma maneira, o conceito bíblico de sábado/descanso recorda que se deve por limites ao consumo.

Por isso, as pessoas são chamadas a usar suas riquezas e seus poderes no serviço ao próximo e na preservação do planeta. É necessário trabalhar para libertar da escravidão ao consumo os que possuem bens em excesso. E é preciso libertar da escravidão da fome e da miséria os despossuídos de bens e oportunidades. A esperança de tesouros que estão além do olhar e são impossíveis de serem tocados livra da tirania do dinheiro e do mercado. E fazendo assim poderemos compreender o sentido maior do cuidado da natureza e da vida.

"Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus." Carta aos romanos 8.21.
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