vendredi 26 novembre 2010

In memoriam

A moda antiga, muito antiga, para minha mãe

Estes meus olhos nunca perderam, 
Maria, grande coisa, mesmo porque é ilusão. 
E, direi, minha formosa senhora, 
destes meus olhos a coisa que anseio:  
choram e cegam como alguém que vê.

Mas os meus olhos, por alguém ver, 
choram e cegam, quando alguém não vem, 
e ora cegam por alguém que vê. 
E como a outra, a mãe não depende de um homem 
o pai deixou de ser pai.

Cuidado tem de nunca perder, 
meus olhos e meu coração, e estas coisas, 
Maria, são coisas minhas.  
E seu nome a outra envia, aquela que gerou o pai. 
A mocinha de Belém, théotokos.

E como a outra, o pai não é pai, nem o filho é filho do pai. 
Gabriel anuncia a geração pelo vento santo. 
Acabou o sangue, 
o inter feces et urinas nascimur acabou também. 
A vulva, a madre aberta, tão consistente foi rompida.

Vai nascer uma época, desejos virginais feminescentes.  
E nunca eu a poderei ver bem, 
pois este amor já não quer nem sequer Deus. 
Mas os cativos destes olhos meus, morrerão e cegarão, 
quando alguém não vem, e ora cegam por alguém que vê.




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