mercredi 29 décembre 2010

Um canto de vitória

Sou um pastor. Essa pequena palavra define o chamado: o serviço a Deus no cuidado de suas ovelhas. Tudo o mais é um acréscimo, importante, mas não essencial. Deus me deu dons, capacidades, que devo e posso exercer para enriquecer o meu chamado, o exercício do magistério teológico, o amor pelo estudo e pela pesquisa acadêmica, mas isso não é o essencial.

Hoje é 29 de dezembro de 2010 e são 4h51 da manhã. Deus falou, eu ouvi, conversamos. Estou diante do computador escrevendo algo da conversa.

O ministério pastoral é o exercício de um chamado de Deus. É um privilégio, é um desafio, é uma cruz.

Às vezes, com o correr dos anos, nós pastores nos esquecemos de que em algum momento fomos escolhidos por Deus para exercer esse ministério tão especial. Talvez o mais especial entregue por Deus aos homens. Esquecemos do chamado e o pastorado vira profissão, apenas função. E nesse momento e a partir daí transforma-se em peso.

Foi sobre isso que conversamos nessa madrugada. Sou um privilegiado e esse privilégio pode ser compreendido naquele convite solene que Deus faz em Isaías 55.6-13. Buscai ao Senhor. Ridderbos, em seu comentário, diz que a expressão significa o movimento do coração, com suas afeições e expressões, na direção do Senhor. Esse é o privilégio: ser chamado tem um correlato magnífico, a busca apaixonada, movimento do coração em direção ao Eterno, que define afeições e expressões do ser pastor.

Mas é um desafio, desafio de ser sábio no serviço. E a primeira característica desse desafio é a constância. E aí me remeto ao livro de Provérbios e vejo essa constância no serviço como ação fraterna, amor, amizade verdadeira pelas ovelhas. Sabemos que quando as coisas caminham bem todos têm amigos, mas o livro de Provérbios (18.24) nos diz que existem amigos mais chegados que um irmão, que amam a qualquer tempo (17.17). Esse é o desafio. Você foi chamado para cuidar de gente, sempre. 

E, sem dúvida, é cruz. E é cruz porque é Deus quem escolhe a bebida e o cálice. Oramos... Senhor afasta de mim este cálice... Mas seja feita a Tua vontade. E o cálice é entregue e somos convidados a beber dele até a última gota. E aí a vontade de desistir nubla o movimento do coração, com suas afeições e expressões na direção do Senhor.

Mas nessa conversa na madrugada, quando expunha dores, fraquezas e sofrimentos, Ele remeteu meu coração a um trecho do apóstolo Paulo na sua primeira carta aos Coríntios (15.20-28), as consequências da ressurreição de Cristo. É isso mesmo: Cristo ressurgiu dos mortos! A cruz pode ser cálice amargo, mas foi e é caminho de obediência. E a ressurreição de Cristo é para a vida que não conhece a morte e, nesse sentido, segundo Morris, Ele é o primeiro, o precursor de todos os que haveriam de estar nele.

Este canto é o testemunho de uma conversa, de um momento de oração, onde Deus falou ao meu coração e tive consciência de que o chamado é para a vida, durante a vida, toda ela, não um pedaço. Por isso, meu canto de vitória sobre a morte, para além de qualquer sentido apenas material. Agradeço a Deus. E, assim, retorno ao primeiro parágrafo:

Sou um pastor. Essa pequena palavra define o chamado: o serviço a Deus no cuidado de suas ovelhas. Tudo o mais é um acréscimo, importante, mas não essencial.


Referências bibliográficas
Kidner, Derek, Provérbios, introdução e comentário, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1992, p. 43.
Morris, Leon, ICoríntios, introdução e comentário, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1997, p. 171.
Ridderbos, J., Isaías, introdução e comentário, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1995, p. 454.

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