jeudi 20 octobre 2011

A comunhão na natureza

Uma catástrofe natural
a antevisão do Dia do Senhor

“Mensagem que o Eterno confiou a Joel, filho de Petuel. Devastação do país. Ouçam o que digo, ó responsáveis do povo, prestem atenção, habitantes deste país! Porventura aconteceu algo semelhante durante a vida de vocês ou durante a vida dos seus antepassados? Contem-no aos seus filhos, para que eles contem também aos filhos deles e à geração seguinte. O que as lagartas deixaram foi comido pelos gafanhotos; o que os gafanhotos deixaram foi comido pelos saltões, e o que os saltões deixaram foi comido pelos outros insetos Despertem, chorem e lamentem-se, ó gente bêbeda e viciada do vinho, porque vão ficar sem uvas para fazer mais vinho”. Joel 1:1-5.

Uma catástrofe religiosa
falta conhecimento ao povo

Ouçam a mensagem do Eterno, habitantes de Israel. O Eterno chama a tribunal os habitantes do país: "Não há lealdade, nem bondade, nem conhecimento do Eterno nesta terra. Amaldiçoa-se, atraiçoa-se, assassina-se e rouba-se; os adultérios multiplicam-se e os homicídios sucedem-se uns aos outros. Por isso a seca vai causar estragos no país: os seus habitantes vão morrer, juntamente com os animais do campo e as aves do céu; e até os peixes vão desaparecer." "Que ninguém acuse, nem repreenda, eu é que te vou acusar, ó sacerdote! Tu hás-de tropeçar, durante o dia, e o teu aliado, o profeta, há-de tropeçar de noite; a tua própria pátria ficará destruída. O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento. E o culpado és tu, que os impediste de me conhecerem. Também eu afastarei você de mim, e não serás mais meu sacerdote. Oseias 4:1-6.

A comunhão na natureza
Rascunhos para um sermão

Para início de conversa

As Escrituras judaico-cristãs descrevem a construção do céu e da terra, obra do Eterno, através da indicação “e o Espírito do Eterno se movia por cima da água” (Gn 1.2). Isto quer dizer que o Espírito é Pessoa e presença do Eterno, sendo a natureza uma realidade formatada por Ele. E é o Espírito que clama pela liberdade redentora da natureza escravizada.

“Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará partena gloriosa liberdade dos filhos do Eterno. Pois sabemos que até agora o Universo todo geme e sofre como uma mulher que está em trabalho de parto” (Rm 8.21-22).

Primeira parte
A natureza é ação do Eterno

O Espírito é poder atuante do Eterno e força de vida das criaturas. O Espírito é a fonte da vida. O que existe e vive manifesta a presença dele.Ele transforma a comunhão com Pai e Filho na comunhão da natureza, na qual todas as criaturas, cada qual a seu modo, se comunicam com o Eterno. A existência, a vida e os relacionamentos estão firmados no Espírito, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28).

A partir do relacionamento trinitário, o ser humano faz parte da natureza e é dependente dela. Vive dentro de um contexto de interdependência. Desde o iníciopresente e futuro estão ligados à terra, à água e ao ar. “Ó Senhor, tu tens feito tantas coisas e foi com sabedoria que as fizeste. A terra está cheia das tuas criaturas” (Sl 104.24). O Eterno nos coloca junto e com a natureza para trabalhar e gozar essa natureza (Gn 2.15). Não haverá falta (2.8-9) se soubermos administrar. Dependemos do solo e dele recebemos o sustento. Pertencemos a este mundo construído e é ele que fornecea base para a existência. A vida começa e se orienta sob o cuidado do Eterno.

“Todos esses animais dependem de ti, esperando que lhes dês alimento no tempo certo. Tu dása comida, e eles comem e ficam satisfeitos. Quando escondes o rosto, ficam com medo; se cortas a respiração que lhes dás, eles morrem e voltam ao pó de onde saíram. Porém, quando lhes dás o sopro de vida, eles nascem; e assim dás vida nova à terra” (Sl 104.27-30).

Só para lembrar -- Entre 2000 e 2005, o Brasil foi o país que mais perdeu áreas de florestas, conforme estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos/ PNAS. Nesses anos foram desmatados 165 mil km² de florestas, o equivalente a 3,6% das perdas de florestas no mundo todo. O segundo país que mais perdeu florestas foi o Canadá, com o desmate de 160 mil km². A ação humana e desastres naturais são as principais causas da perda de florestas. No mundo todo, a cobertura vegetal diminuiu 3,1% entre 2000 e 2005. Foram 1,01 milhão de km² desmatados, o que sugere crescimento de 0,6% ao ano. O estudo se baseou em observações por satélite de pesquisadores das Universidades de Dakota do Sul e do Estado de Nova York. 

Pensamos que o Brasil é apenas objeto para exploração, em vez de construção para a glorificação do Eterno. Ignoramos as necessidades das outras formas de vida. Essa atitude utilitarista de ver e agir é alienação, é uma falta de respeito para com o Espírito do Eterno.

Segunda parte
O desafio do cuidado amoroso

O Eterno é quem dá e quem sustenta a vida de todo o universo. Sua preocupação por atender às nossas necessidades (beber, comer e vestir) não se restringe ao ser humano, mas se estende a toda a natureza, refletida nos pássaros e nas flores do campo.

“É o Eterno quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena!” (Mt 6.30).

O universo inteiro depende do cuidado amoroso do Eterno, que não descuida de nenhuma criatura. Os lírios, por exemplo, caracterizados por sua fragilidade e vida curta, são vestidos de tal modo que nem Salomão usava roupas tão bonitas como essas flores. (Mt 6,29).

Criação significa que tudo é completamente obra do Eterno. Ele é o autor de tudo, pessoal e salvífico, que se revelou como puro amor. Toda a realidade brota da pura iniciativa deste amor divino, puro dom gratuito.
Mas, o ser humano faz parte da natureza, depende dela e é seu cuidador. O ser humano, como o restante da natureza, foi criado “de acordo com a sua espécie” (Gn 1.24 e 25), só que à imagem e semelhança do Eterno (Gn 1.26-27). A imagem do Eterno é elaborada em termos do domínio administrativo que o ser humano teria sobre o resto da natureza. O ser humano foi criado à imagem do Eterno, não somente por sua liberdade e direito à escolha, mas também pela postura que assume diante da natureza, uma postura de soberania em amor e comunhão, que deve refletir a soberania do Eterno (Gn 1.26-28). O ser humano não foi criado apenas para realizar uma administração espiritual, mas foi criado para orientar a natureza.

“No entanto, fizeste o ser humano inferior somente a ti mesmo e lhe deste a glória e a honra de um rei. Tu lhe deste poder sobre tudo o que criaste; tu puseste todas as coisas debaixo do domínio dele: as ovelhas e o gado e os animais selvagens também; os pássaros e os peixes e todos os seres que vivem no mar” (Sl 8.5-6).

Só para lembrar -- O Brasil é um país privilegiado em matéria de água. Detém 12% da água doce de superfície do mundo, o rio de maior volume e um dos principais aqüíferos subterrâneos, além de ótimos índices de chuva. Mesmo assim, falta água no semi-árido e nas grandes capitais, porque a distribuição desse recurso é desigual. Cerca de 70% da reserva brasileira de água está no Norte, onde vivem menos de 10% da população. Em São Paulo, a maior metrópole do país, a ocupação irregular das margens de rios e represas, como a de Guarapiranga, que abastece 3,7 milhões de paulistanos, deveria ser preocupação permanente. Ao seu redor vivem 700 mil habitantes. Com o desmatamento das margens, sedimentos são arrastados para a represa, que perde capacidade de armazenamento e recebe esgoto de residências. O problema é semelhante na represa Billings, também responsável pelo abastecimento de São Paulo. Esse manancial tem sido o destino das águas poluídas que são bombeadas dos rios Tietê e Pinheiros.

A administração humana sobre a natureza nós chamamos de mandato cultural. Ser criado à imagem do Eterno é ser responsável pelo planeta e por todas as formas de vida!

A liberdade humana implica responsabilidade para preservar a ordem que o Eterno criou e promovera existência de todos os seus elementos. Tal soberania não implica em liberdade para roubar, matar e destruir. Os seres humanos são mordomos do Eterno, responsáveis diante dele e cuja primeira tarefa é assegurar a permanência e equilíbrio da natureza.

Terceira parte
Somos todos responsáveis

A preocupação divina com a salvação espiritual não é alheia da sua preocupação pelo bem-estar da sua criação material. A natureza é o primeiro dos atos salvadores do Eterno.

Só para lembrar -- O modelo agrícola brasileiro revela uma contradição -- bate recordes de produtividade, com cerca de 30% das exportações brasileiras, mas 40% da população brasileira sofre com a insegurança alimentar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ IBGE. É um país desiguail, com uma das maiores concentrações de terras do mundo, e ocupa o posto de maior consumidor de agrotóxicos do planeta, superando os Estados Unidos, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ Anvisa. O avanço da tecnologia não reduziu o consumo de agrotóxicos, pelo contrário, a tecnologia dos transgênicos estimulou o consumo desses produtos, especialmente na soja, que teve uma variação negativa em sua área plantada (-2,55%) e uma variação positiva de 31,27% no consumo de agrotóxicos, entre os anos de 2004 a 2008.

“Mas tu, ó Eterno, tens sido o nosso Rei desde o princípio e nos salvaste muitas vezes. Com o teu grande poder, dividiste o Mar e esmagaste as cabeças dos monstros marinhos. Esmagaste as cabeças do monstro Leviatã e deste o seu corpo para os animais do deserto comerem. Fizeste com que corressem fontes e riachos e secaste grandes rios. Criaste o dia e a noite, puseste o sol, a lua e as estrelas nos seus lugares. Marcaste os limites da terra e fizeste o verão e o inverno” (Sl 74.12-17).

Por isso, não devemos conceber a participação do ser humano no Brasil como opcional, nem como secundária sua missão na salvação de vidas. Desde o início, a natureza fazia parte do plano salvador do Eterno. A conversão de seres humanos não é o último dos atos salvadores do Eterno, mas o estabelecimento de novos céus e nova terra, ou seja, uma nova natureza (Ap 21.1), a libertação da própria natureza em si (Rm 8.20-22).

Até o fim, a natureza fará parte do plano salvador do Eterno. A graça do Eterno que se manifestou em Cristo, também se manifestou na natureza.

“O Eterno falou muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos antepassados, mas nestes últimos tempos ele nos falou por meio do seu Filho. Foi ele quem o Eterno escolheu para possuir todas as coisas e foi por meio dele que o Eterno criou o Universo. O Filho brilha com o brilho da glória do Eterno e é a perfeita semelhança do próprio Eterno. Ele sustenta o Universo com a sua palavra poderosa. E, depois de ter purificado os seres humanos dos seus pecados, sentou-se no céu, do lado direito do Eterno, o Todo-Poderoso” (Hb 1.1-3).

A graça do Eterno manifesta alcançará o seu propósito de submeter a Cristo todas as coisas.

“Por isso o Eterno deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória do Eterno, o Pai”. (Fp 2.9-11).

Você deve levar em conta

“As Escrituras Sagradas dizem: O Eterno pôs todas as coisas debaixo do domínio dele. É claro que dentro das palavras “todas as coisas” não está o próprio Eterno, que põe tudo debaixo do domínio de Cristo. Mas, quando tudo for dominado por Cristo, então o próprio Cristo, que é o Filho, se colocará debaixo do domínio do Eterno, que pôs todas as coisas debaixo do domínio dele. Então o Eterno reinará completamente sobre tudo” (1Co 15.27-28).

Só para lembrar -- O lixo atômico das usinas de Angra I e II, no Rio de Janeiro, material é guardado em depósitos provisórios. Há 25 anos, toneladas de lixo radioativo nem saem dos prédios. Fica mergulhado em piscinas.

Existe uma teologia bíblica da vida, que envolve o uso responsável e sustentável dos recursos da criação do Eterno e a transformação das dimensões culturais, econômicas, morais, intelectuais e políticas da existência. Isto inclui a recuperação de um sentido bíblico de mordomia, que implica em administração e cuidado responsável. Da mesma maneira, o conceito bíblico de descanso semanal recorda que se deve por limites às atividades de produção e ao consumo. Assim, devemos usar a riqueza e o poder no serviço dos demais. É um compromisso de trabalhar para libertar os ricos da escravidão ao dinheiro e ao poder, e possibilitar aos que têm menos obter acesso à dignidade e às oportunidades de desenvolvimento. A esperança de tesouros no céu nos livra da tirania de Mamon. E fazendo assim estaremos compreendendo o sentido maior do cuidado da natureza e da vida criada pelo Eterno.


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