vendredi 2 décembre 2011

Judeus estudam Jesus (1)

Um nazareno sob a ótica de David Flusser

Intelectuais e pensadores judeus nos últimos decênios iniciaram um caminho de diálogo para entender o pensamento de um judeu chamado Jesus. Aqui vamos examinar o trabalho de três deles.


 

Entre os acadêmicos temos David Flusser, que foi professor de Novo Testamento e Cristandade antiga na Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1968 publicou Jesus em Auto-Testemunhos e Documentos de Imagens, onde disse ter Jesus nascido em Nazaré, ser primogênito e ter quatro irmãos e irmãs. Que foi batizado nos anos 28/29 e morreu entre os anos de 30 e 33.

Em sua biografia do nazareno, relata sua formação e a tensão na família, que só aceita sua pregação após a morte dele. Flusser refere-se ao batismo e a dotação do Espírito como um evento histórico. Considera João, o profeta que batizava, como o Elias escatológico. É interessante ver que Flusser considera que a escatologia se realiza através de Jesus, pois a questão do reino de Deus, ponto central da proclamação do nazareno, embutia uma constelação de valores que transcendia a dimensão social de sua pregação. Assim, para Flusser, o reino de Deus teria começado com Jesus.

Segundo o acadêmico, Jesus não foi um crítico do judaísmo. Embora tenha se voltado contra a teimosia dos piedosos mais radicais, enfatizou o lado moral dos mandamentos e não propôs a sua abolição. Segundo Flusser, Jesus foi um judeu que se sentiu enviado aos judeus. Os fariseus aparecem, então, como referência simbólica, não historicamente, e não são responsáveis pela morte de Jesus. Flusser coloca a mensagem Jesus como produto periférico ao pensamento dos essênios, mas não afirma que Jesus tenha sido essênio.

Em seu o livro A Cristandade, uma religião judaica, Flusser fala de Maria, das raízes judaicas da Cristandade, da expectativa messiânica de Jesus, de Paulo e da missão como chamado à fraternidade. Afirma que Jesus teria visto João como Elias e que Jesus teria sido o único judeu antigo a pregar o início do reino de Deus. Nos seus trabalhos, em hebraico e em inglês, Flusser realça esta questão: Jesus se viu realmente como Messias, o Filho de Homem por vir. Segundo o acadêmico judeu, Jesus mudou a escatologia judaica, ao afirmar que primeiro se realiza o reino do Céu e só depois vem o juízo final. Flusser enfatiza a importância da atividade de Jesus, faz a defesa da messianidade dele como o Filho do Homem, mas descarta a morte expiatória.

Dois títulos de Flusser que você deve ler

Jesus (São Paulo, Perspectiva, 2002), texto onde Flusser utiliza a análise arqueológica, documental, filológica e textual, na qual a leitura dos Evangelhos se faz à luz dos manuscritos do Mar Morto, da literatura pseudo-epigráfica e apocalíptica em conjunto com a do primeiro testamento, da tradição oral judaica, da cristologia e das fontes greco-latinas da historiografia clássica. O livro apresenta um painel da reconstituição do semblante verossímil do judeu de Nazaré e da realidade que lhe foi subjacente e o projetou na transcendência, aquela do judaísmo do primeiro século com suas correntes conflitantes de pensamento religioso.

Judaísmo e as origens do Cristianismo (São Paulo, Imago, 2001) onde, no primeiro volume, Flusser procura eliminar preconceitos e promover uma melhor compreensão das antigas fontes das duas religiões: judaísmo e cristianismo. Dentro desta perspectiva, fixa como tarefa tratar de problemas relativos ao judaísmo antigo e ao primeiro cristianismo. E no segundo volume mostra que o cristianismo surgiu em meio judaico. Foi, portanto, parte do judaísmo. É esta busca por compreensão das antigas fontes das duas religiões que encontramos no livro.

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