vendredi 15 juin 2012

Educação teológica para o século XXI

Segunda parte

Dando sequência às nossas reflexões sobre a necessidade de pensar uma teologia com alma e corpo brasileiros, uma teobrás que responda aos desafios da contemporaneidade, afirmamos que as Ciências da Cultura são fundamentais para o estudo de Teologia, pois auxiliam na busca das evidências de acontecimentos do passado da humanidade e de estruturas de grupos sociais de determinada época. Os teólogos podem, dessa maneira, analisar traços culturais de povos, no caso brasileiro, indígenas, portugueses e africanos, principalmente, e buscar as raízes que possibilitaram a construção de mitos, ritos e das religiosidades brasileiras.


Um currículo unitário necessita ter, por isso, um núcleo forte de História das Religiões, que privilegie os estudos das brasilidades no que tange às religiosidades não cristãs. Estes estudos, de diálogo crítico, devem evitar as variações comparativas, que desembocam em leituras predominantemente apologéticas.


Assim, o estudo das brasilidades e de suas religiosidades, cristãs ou não-cristãs, é essencial porque não se pode pensar hoje um intelectual, mestre ou pastor que não seja solicitado a refletir a conjuntura cultural, político-social e religiosa do País. Isso significa que devem ter uma concepção da história de nossa formação enquanto povo e dos desafios a que somos chamados a responder.

Tal concepção da multiculturalidade brasileira deve reforçar ou modificar maneiras de agir e pensar o tempo brasileiro. A história da formação e do sentido dos brasis permite reflexões para a superação da consciência ingênua e o desenvolvimento de uma consciência crítica, pela qual a experiência vivida é transformada em consciência compreendida da realidade brasileira.
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Mas um currículo unitário, que valorize espaços de reflexão, ensino e pesquisa sobre religião, teologias e brasilidades, é uma parte do desafio acadêmico. O outro grande desafio é o do planejamento, que acontece na sala de aula, onde fracasso e sucesso estão carregados de conteúdos emocionais. Por isso, a discussão de questões da multiculturalidade brasileira, quando se fala de brasilíndios, afrobrasileiros e neobrasileiros não importa se o aluno se embaraça em entender os sentidos mais profundos, por desconhecer os pontos de partida: ele se sentirá desafiado em descobri-los se as aulas forem emotivamente dirigidas nesse sentido.

É necessário, porém, equilibrar sempre fácil e difícil, levando em conta que os mais inseguros são estimulados pelo sucesso e os mais seguros com a possibilidade do fracasso. A segurança depende do conhecimento de possibilidades e realizações, não do conhecimento das relações entre ser e consciência, classe e poder, classe e raça. Para manter o aluno motivado, para explorar ao máximo suas possibilidades criadoras, o professor deve visualizar uma espécie de conta corrente onde o ativo são os resultados dos esforços do aluno ao competir consigo mesmo e o passivo sua preparação em direção à liberdade.

Por isso, propomos neste currículo/planejamento uma abordagem temática dos assuntos, sem descuidar da referência necessária à história da formação e sentido do Brasil, que permita estabelecer o fio condutor da exposição dos temas. Isto porque fazer um estudo da história e formação dos povos brasileiros implica em fazer antropologia dos povos brasileiros e sociologia da cultura. Tais abordagens não podem ser encaradas como atividades solitárias, mas enquanto diálogo crítico entre pensadores que expõem diferentes visões.

Diferentes visões, mesmo em diálogo, refletem a competição da vida real. E, embora, competir faça parte da vida, nem sempre há justiça na premiação. Por isso, uma das intenções do diálogo entre teologias e brasilidades deve ser a preparação dos futuros formadores de opinião para a competição da vida, que é inevitável. Eles vão competir consigo mesmos, vão competir enquanto pessoas na comunidade, vão competir com outras comunidades. Como têm um ministério cristão é importante ter claro que concorrerão com outros grupos do ponto de vista teológico, mas não apenas, também vão fazê-lo ao nível social, cultural e político. Sabemos, porém, que é quase impossível prever como participarão dessa concorrência e até onde conseguirão realizar seus interesses particulares, e como tal competição se transformará em mola propulsora de desenvolvimentos posteriores. Prêmio e castigo sempre fizeram parte da educação judaico-cristã.

Nos últimos anos, andaram em desuso, mas a realidade tem mostrado que os prêmios satisfazem à tendência de autoafirmação e de obtenção de prestígio, enquanto os castigos contrariam essas necessidades. Assim, quando um estudante erra e não recebe a crítica esperada estamos enevoando seu sistema de valores. Estamos confundindo e não educando. Por isso, principalmente numa faculdade de teologia, é melhor criticar ou elogiar do que se ausentar de qualquer manifestação diante dos trabalhos realizados. É bom lembrar que a crítica reforça o desprazer de um mau resultado e o prêmio faz a transição da ansiedade à libertação. O respeito às delimitações gera coragem ante a vida. Produz a elaboração daquilo que é mais difícil: os limites da própria vida. As pessoas que conseguem realizar esta elaboração atingem coragem de viver. Conquistam dignidade. Os limites não são áreas proibitivas, são indicativas. São meios de identificar um fenômeno. E ao esclarecer os limites qualificamos o fenômeno. (1)

O aproveitamento da experiência prévia do aluno é um fator espetacular de motivação, mas deve ser reinterpretado, retificado e ratificado. Sua experiência de vida religiosa, cultural, social e política, soluções encontradas para problemas reais vividos na família, na igreja e na comunidade em geral não somente favorecem a integração do aluno no grupo, mas produzem um sentido de correlação entre o meio social e a faculdade. É necessário aproveitar a tendência gregária dos alunos no planejamento e discussão da realidade brasileira, na sua execução e controle, completando-se com o trabalho socializado.

Os grupos estruturam-se visando atender a soluções intelectuais e afetivas. E as atividades extra-classe, desde que levem em conta essas motivações, podem ter um importante papel didático. As diferenças individuais devem ser levadas em conta e compensadas através de dois recursos: as entrevistas e a graduação de tarefas. Na primeira, os estímulos tornam-se diretos, mas o sucesso depende em muito da simpatia e da habilidade psicopedagógica do professor. Na graduação de tarefas oferecemos uma oportunidade de liberdade, um incentivo a aprendizagem afetiva.

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A crítica, enquanto construção professor/aluno, é imprescindível à segurança afetiva. A solidariedade é a grande motivação. A solidariedade permite ao professor encontrar os recursos necessários para educar os futuros formadores de opinião em hábitos, atitudes e ideais, e orientá-los no caminho da verdade e da justiça.


Devemos entender, enquanto homens e mulheres envolvidos com a educação brasileira, que a função da filosofia é formular uma pergunta concernente à verdade, significando com isso que a tarefa do teólogo, por adição, é inquirir se a comunidade de fé está comunicando as boas notícias. É possível crer no texto e deixar de viver as verdades nele contidos. Uma leitura que produza transformação de vida, assim como submissão ao Espírito são condições quanto aos desafios que devem ser vividos.

Devemos, no entanto, precaver-nos do perigo de obscurecer o reconhecimento do Reino. A justiça social apresenta exatamente este desafio. A preocupação com a justiça e a responsabilidade social diante da multiculturalidade brasileira são fundamentais para as práxis teológicas. Por isso, toda crítica à alienação no âmbito da prática teológica deve ter como base a verdade e a justiça, enquanto pergunta pela compreensão e proclamação das boas novas por parte da comunidade de fé. Mas se a tarefa é formar e transformar através da verdade e da justiça, a pedagogia é o amor.

Citação
1. Fayga Ostrower, Criatividade e Processos de Criação, Petrópolis, Vozes, 1986, p.160.
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