vendredi 17 août 2012

Imagem e dignidade


Shelach Lechá
Rabino Ruben Sternschein
17 de agosto de 2012
29 de av de 5772
BY CONGREGAÇÃO ISRAELITA PAULISTA

Nem sempre a vaidade é superficial. Nem sempre o marketing é uma mentira ou uma inflação de uma pequena verdade em prol de um interesse mesquinho e egoísta. Nem sempre promover uma imagem é apenas egolatria e poder.

Na parashá da semana, Deus resolve acabar com uma grande quantidade dos hebreus libertados pois eles temem a liberdade e preferem voltar à escravidão egípcia. “Compram” com facilidade o conto de dez dos doze espiões que foram mandados a analisar a Terra de Israel e seus habitantes, segundo o qual a terra consome seus habitantes e quem resiste são gigantes que jamais permitirão que ninguém se introduza nela.

Nesse momento Moshé intervém em favor dos hebreus e convence Deus com um argumento típico de um assessor de imagem: “O que vão dizer os egípcios sobre um Deus que tirou seu povo para matá-lo no deserto por falta de capacidade para levá-lo com vida até o destino final?

Alguns mestres medievais como Rabi Itschak Arama e Rabi Abarbanel reclamaram absortos, dizendo: como é possível que Moshé pense que Deus se importaria com Sua imagem e, acima de tudo, justamente diante de pagãos como os egípcios!

Nachmânides sugere uma solução magistral: não era a Sua imagem em si, pela sua vaidade, pelo seu “ego”, o que preocuparia Deus e Moshé, mas sim o que implicaria para a humanidade e para o mundo um Deus que destrói tudo, uma dinâmica mundo-Deus determinada e caracterizada pela raiva e pelo mútuo afastamento. Ou seja, o cuidado da imagem por motivos altruístas, pelo bem de quem observa a imagem, interpreta-a, incorpora-a e reage a ela.

Nossa imagem tem a ver com o que representamos e não apenas com quem somos. Se um judeu identificado como tal age corretamente em público, cedendo um assento a uma grávida no metrô, ajudando um idoso a atravessar a rua, contribuindo com a campanha do agasalho, fazendo negócios limpos, logo os judeus como coletivo são identificados com esses valores.

Se um judeu liberal, um cipiano, participa de sua comunidade com entusiasmo, aprende, pensa, ensina, se comove e vive uma vida mais significativa, logo o judaísmo liberal e a CIP serão identificados como algo de valor e significado.

Da maneira como falemos com nossos filhos, pais e cônjuges, quem nos vir e ouvir aprenderá como ser adulto.

O israelense Shmuel Yosef Agnon, Prêmio Nobel de Literatura em 1966, escreveu que quando alguém falece dizemos o Cadish porque nos preocupamos com a imagem que fica da vida diante do afastamento desse ser querido. O Cadish tenta continuar sustentando Deus e o mundo e sua dignidade na hora de perda de quem representava tudo isso.

Que possamos nesta semana compreender tudo o que representamos e manter a maior dignidade possível de nossas múltiplas imagens. Em prol dos que delas aprendem a viver e ser.

Shabat shalom,
Rabino Ruben Sternschein



Números 14.13-19
13 E disse Moisés ao SENHOR: Assim os egípcios o ouvirão; porquanto com a tua força fizeste subir este povo do meio deles. 14 E dirão aos moradores desta terra, os quais ouviram que tu, ó SENHOR, estás no meio deste povo, que face a face, ó SENHOR, lhes apareces, que tua nuvem está sobre ele e que vais adiante dele numa coluna de nuvem de dia, e numa coluna de fogo de noite. 15 E se matares este povo como a um só homem, então as nações, que antes ouviram a tua fama, falarão, dizendo: 16 Porquanto o SENHOR não podia pôr este povo na terra que lhe tinha jurado; por isso os matou no deserto. 17 Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça; como tens falado, dizendo: 18 O SENHOR é longânimo, e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão, que o culpado não tem por inocente, e visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos até à terceira e quarta geração. 19 Perdoa, pois, a iniqüidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia; e como também perdoaste a este povo desde a terra do Egito até aqui.
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