dimanche 12 août 2012

Casa Grande, de Gladir Cabral

Gladir Cabral


A casa grande é branca e branda como a seda, 
Acolchoada, fina e nobre como a renda, 
Mas aqui fora reina a lei da reprimenda, 
Da palmatória, nossa paga, nossa prenda. 

Doutores, caros, fortes, ricos e senhores 
Que suspirais pelas janelas dos amores, 
Olhai por nós marcados por terríveis dores, 
De vós vêm nossas esperanças e temores. 

Os nossos corpos sendo mortos pouco a pouco, 
Os nossos sonhos já desfeitos, todos loucos. 
Na casa grande há uma cruz numa parede. 

No coração de um negro há uma casa nova 
Sem palmatória, sem corrente obrigatória, 
Sem mais senhores, todos são de todo amigos 
E nas paredes não há cristos esquecidos. 

Nessa fazenda Deus é gente aproximada, 
É tempo inteiro, tarde, noite e madrugada, 
Motiva encontro, comunhão e caminhada, 
Faz liberdade ser bem mais que uma palavra. 

Os nossos corpos redimidos num momento 
Bem mais veloz que a luz de todo o pensamento, 
A nossa casa é muito mais que uma fazenda (1ª) 
A nossa vida é bem mais que uma fazenda (2ª)