jeudi 20 mars 2014

Pentateuco -- um roteiro preliminar

Roteiro para estudo do Pentateuco
Jorge Pinheiro

1. Diversidade

I. Diversidade de material: histórias, episódios, leis, rituais, regulamentos, cerimônias, registros cronológicos, exortações.

II. Blocos que formam o Pentateuco: promessa e eleição (Gn 12.1-2), livramento (Dt 6.21; 26.5), aliança (Gn 15.18; Ex 19.5-6), lei (Ex 20.1-17; Dt 28.1) e terra (Dt. 6.23).

2. Complexidade

I. Evidências literárias: lei e história > blocos de conteúdo legal integrados à narrativa. Ex. Gn 4.26 e 5.1; Gn 2.4 – 4.26 interrompe a linha do relato de 1.1-2.4; 5.1ss. Descontinuidade Gn 19.38 e 20.1, assim como Ex 19.25 e 20.1. Os 10 mandamentos (20.1-17) distingue-se da narrativa do seu contexto literário (19.1-25; 20.18-21). Os códigos legais não estão agrupados sob nenhuma ordem lógica.

II. Diversidade de material = diferenças de vocabulário, estilo e de composição. Exemplo entre os códigos de leis de Levítico e Deuteronômio.

III. Uso variável dos nomes Iaveh e Elohim, de Gn 1 a Ex 6.

IV. Duplicação ou triplicação do material do Pentateuco. Abraão e Sara (Gn 12 e 20), Isaque e Rebeca (26.6-11); berseba (poço do juramento), Abraão e Abimeleque (Gn 21.22-31), Isaque e Abimeleque (26.26-33); animais puros e impuros (Lv 11.1-47, Dt 14.3-21); escravos (Ex 21.1-11, Lv 25.39-55, Dt 15.12-18).

V. Expressões posteriores à época de Moisés. Ex. cananeus (Gn 12.6, 13.7), Canaã (Ex 16.35), Abraão perseguiu os seqüestradores de Ló até Dã (Gn 14.14, 19.47, Jz 18.29).

VI. Autoria e origem. É uma obra anônima. Moisés não é mencionado com seu autor, assim como ninguém em especial. Essa é a prática geral do AT. Autor no AT é aquele que preserva o passado. E a literatura era uma propriedade comunitária. Moisés aparece recebendo ordens de redigir determinados fatos históricos (Ex 17.14; Nm. 33.2), leis ou trechos de códigos de leis (Ex 24.4, 34.27) e um poema (Dt. 31.22). Somente nos escritos pós-exílicos (Crônicas, Esdras, Neemias, Daniel) as referências ao Pentateuco como texto escrito sob autoridade de Moisés têm destaque marcante. Nos livros históricos do pré-exílio (Josué, I e II Samuel, I e II Reis isso não acontece. Aí Moisés aparece com referências ao Deuteronômio. Da mesma maneira nos profetas do pré-exílio não há referências a Moisés como autor do Pentateuco.

VII. Implicações.

A – Moisés escreveu literatura narrativa, legislativa e poética.

B – É uma obra complexa, composta dentro de uma longa e intrincada história de transmissão e crescimento. Temos que levar em conta a tradição oral, as compilações de épocas históricas diferentes, como êxodo, peregrinação, a confederação tribal, a monarquia, o fracionamento do reino e o exílio. Sem colocar em dúvida a canonicidade do texto, é justo dizer que sua redação final pode ter estado sob orientação direta de Esdras, no período da restauração. Esdras foi um escriba versado nas leis de Moisés (Ed 7.6 e 11ss), mestre e pastor responsável pela observância da Lei em Jerusalém e Judá (v. 14 e 25ss). Dentro da tradição judaica é atribuída a ele a redação final da Torah.

3. Unidade estrutural

I. Apesar de seu caráter complexo, há uma unidade estrutural no texto do Deuteronômio, que coesiona suas partes. Assim, o que predomina é o equilíbrio e a unidade

II. O texto deve ser analisado como um fim em si, que estuda a forma e a função do texto dentro do contexto da comunidade da fé. Essa é a abordagem da crítica canônica, em oposição à crítica literária que predominou nos últimos 150 anos. A crítica canônica concentra-se na interpretação intertextual (ou exegese intrabíblica), analisando como os autores bíblicos usam os materiais uns dos outros. Esse método defende uma “alternativa pós-crítica”, que procura determinar a função que a forma canônica exercia na fé de Israel. Assim, a melhor maneira de estudar o Pentateuco é deixar que ele se apresenta como é: o testemunho essencial de como trouxe à existência a nação de Israel.
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