jeudi 15 mai 2014

Pensar a partir de Paul Tillich

A partir do Iluminismo, o desenvolvimento das ciências, assim como a autonomia da filosofia em relação à teologia traduziu-se em desafio para o espírito religioso. Mas o ponto decisivo de todo o desenvolvimento moderno foi o reconhecimento de que uma estrutura viva não pode ser composta fora de suas partes, mas cresce a partir de uma origem. O crescimento da oposição à sociedade capitalista, nas primeiras décadas do século XX, levou às novas interpretações da história. E essas leituras, que, entre outras coisas, apresentaram a fé como desenvolvimento e a história como presença do eterno no tempo, romperam o círculo até então fechado da compreensão da existência.

Leituras até então inéditas, como a de que a tarefa imediata da arte não é esconder a essência, mas expressar significado, levaram à reflexão do caráter espiritual presente tanto na ciência, como na filosofia.

Em sua lógica interna, de origem, a sociedade capitalista deveria ser uma antítese ao princípio do nacionalismo. Mas esta sociedade carrega um paradoxo: a organização das pessoas no interesse da eficiência econômica destrói a estrutura orgânica das vocações e fomenta à divisão em classes. O que está em choque com o ideal planetário da organização econômica, que confronta a individualidade nacional e propõe a globalização não imperial das nações. Por isso, as éticas dos movimentos anticapitalistas, que se expressam como movimentos nacionalistas, permaneceram expectantes, inseguros, provisórios, e sempre retornaram à moralidade capitalista.

O ideal de humanidade, enquanto globalidade justa de direitos e possibilidades, não pode ser abandonado, pois quando negado torna-se medida de ego-transcendência, que nasce da realização das éticas auto-suficientes de finitude. E tal fenômeno de negação da globalidade justa de direitos e possibilidades leva ao misticismo em suas mais variadas facetas: a busca da razão da existência na manipulação de astros, espíritos e magias. Misticismos estes que rompem a compreensão da existência como construção que nasce da dialética entre imanência e transcendência. Para o espírito de finitude auto-suficiente não há de fato transcendência, mas maneiras de manipular astros, espíritos e forças a fim de obter este ou aquele resultado. Estes são, em última instância, meios e fins da real catástrofe de toda a finitude que se faz suficiente.


Cresceu no século XX a crença expressa nas profecias do fim dos tempos. Estas, subjetivamente, traduziram a compreensão que a auto-suficiência da finitude tinha um tempo limite, estava cronometrada existencialmente, pois não expressava a relação essencial entre tempo e eternidade. Era uma leitura capenga da realidade, pois partiu e permaneceu mergulhada no misticismo.

Por isso, entendemos que em toda esfera das ciências naturais diante de dogmas e rituais há um torneamento que procura distanciar-se do espírito de finitude auto-suficiente, do espírito da sociedade capitalista. Porém esta procura de distanciamento capitulou diante das aberrações, dificuldades e reações da sociedade capitalista e gerou novas convicções, aparentemente realistas, mas de fato alienadas, e nesse sentido também místicas, separadas do espírito científico e crítico. Esta é a realidade do tempo presente




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