mercredi 28 janvier 2015

A lembrar um passado presente

A alegria cristã e a reforma social

A lembrar um passado presente 15/10/2002
Jorge Pinheiro

O rei Josias foi um reformador social e sua reforma teve por base a justiça proposta na lei deuteronômica. O que isso tem a ver com o candidato eleito, Luís Inácio Lula da Silva? O que, nos evangélicos, queremos do futuro governo Lula?


No dia 15 de outubro, o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu em João Pessoa que, se eleito, pretendia estabelecer um pacto social para a conquista da cidadania: (1) capaz de gerar empregos; (2) ampliar o acesso dos jovens ao ensino público de qualidade; (3) e elevar o padrão de qualidade de vida da população brasileira.

Falando no parque Sólon de Lucena, em João Pessoa, Lula garantiu que fará uma reforma agrária capaz de estabelecer a paz no campo, sem violência, sem invasões e com diálogo.

Disse ainda: "Vamos colocar empresários e trabalhadores na mesa de negociação" para firmar um pacto social a serviço do desenvolvimento brasileiro.

A Palavra de Deus nos diz: Tenham sempre alegria, unidos com o Senhor! Repito: tenham alegria! [Filipenses 4.4-5]. Este texto, que remete a Sofonias 3.14-18, nos ensina que a alegria cristã não deve ser evasiva, efêmera e superficial. A Palavra de Deus mostra que neste salmo de alegria Sofonias aponta para a salvação e para o retorno dos remanescentes a Israel [3.11-13.19-20] e, por isso, convida todos à alegria [3.14-18].

O convite de Sofonias coincide com a esperança trazida através do rei Josias, que se apresentou como reformador social, e também pelo declínio da Assíria, que afrouxava sua influência opressora.

A lei deuteronômica, encontrada no Templo durante o reinado de Josias, expressa a vida íntima da comunidade, a necessidade de que cada pessoa tenha o mínimo para sobreviver e que ninguém viva numa situação miserável.

Deste modo, a lei deixa de ser uma obrigação imposta e pesada e passa a ser um dom que Deus oferece a todo o povo. Este dom ou aliança se fundamenta no direito de cada pessoa e família a possuírem o necessário a uma vida digna e cidadã. Ou como diz a promessa deuteronômica: O Senhor, nosso Deus, os abençoará ricamente na terra que lhes vai dar. Portanto, não haverá nenhum israelita miserável, se todos derem atenção ao que o Senhor ordena e obedecerem a todos os mandamentos que hoje eu estou dando a vocês. [Deuteronômio 15.4-5].

A aliança, a lei, o dom deve ser interiorizado. A convivência no país que Deus deu ao povo peregrino exige uma mudança de mentalidade que se traduz numa organização social onde o direito divino prevalece sobre todas as instituições. O mais importante deste direito é a justiça entre as pessoas, que deve ser entendida como fundamento da convivência social.

Dez dias depois, das afirmações de Lula na Paraíba, pós-graduandos da Unicamp, em carta de apoio à candidatura de Lula, afirmaram que “a postura ética sempre foi uma importante característica da trajetória de vida de Lula, isso associado à sua maturidade política lhe fornece ainda mais credibilidade para liderar a execução de um projeto nacional que tenha como metas o crescimento econômico e a geração dos empregos de que o país tanto necessita. Consideramos, ainda, que com esse perfil de exímio aglutinador e integrador de forças, Lula criará as condições necessárias para o estabelecimento do diálogo com amplas camadas da sociedade, dentre as quais os empresários, os trabalhadores e os movimentos sociais, viabilizando a construção de um pacto social em torno de um novo modelo de desenvolvimento que possibilitará a inclusão sócio-econômica de cerca de 40 milhões de brasileiros”.

A isso nós chamamos reforma social. Não queremos que Lula seja um reformador religioso, esse papel cabe a nós, à igreja brasileira, mas que – como disseram os pós-graduandos da Unicamp -- estabeleça o diálogo com amplas camadas da sociedade, com os empresários, os trabalhadores e os movimentos sociais, viabilizando a construção de uma aliança social em torno de um novo modelo de desenvolvimento que possibilite a inclusão sócio-econômica de milhões de brasileiros.

Essa deve ser a oração dos evangélicos brasileiros. Para que possamos verdadeiramente nos alegrar com as maravilhas que o Deus Eterno pode fazer nesta terra brasileira.




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