lundi 7 septembre 2015

Devarim e Torá

Devarim como chave para pensar a Torá
Jorge Pinheiro*

Neste estudo sobre Devarim, o Deuteronômio, e Torá, o Pentateuco, partirei de dois estudiosos do tema, Watts e Kaufmann, apresentando ao leitor hipóteses sobre as origens do livro e da tradição mosaica, que agregam muito às antigas compreensões, sem romper com radicalidade a tradição herdada dos piedosos exegetas judeus e dos pais da igreja cristã.

Na edição norte-americana do The Broadman Bible Comentary, Nashville, Tennnessee, Broadman Press, 1970, John D. W. Watts, PhD, no volume 2 da coleção, faz um profundo e detalhado comentário sobre o texto do livro de Deuteronômio. Nesse trabalho analisaremos a Introdução de Watts a seu estudo, utilizando para isso a edição norte-americana, em inglês.

Watts considera que Devarim, o Deuteronômio, pode ser lido a partir de três enfoques: como fim do Pentateuco, começo da história de Israel ou o livro da aliança. A primeira variante parte do fato de que em nossas Bíblias o livro fecha o bloco conhecido como Pentateuco, seguindo a tradição judaica, vigente a partir do IV século antes da Era comum, quando Devarim aparece como o último livro dos rolos da Torá, a parte mais importante das escrituras judaicas. Assim, apresenta os últimos textos da tradição mosaica, fechando seu extenso trabalho como legislador e realizador da aliança. Sob esse ponto de vista, “o livro oferece um reposicionamento da aliança e da lei”[1], de forma que Israel pudesse obedecê-la e cumpri-la em sua caminhada para Canaã. Sem dúvida, para o estudioso do Pentateuco, um conceito sobressai nesse primeiro enfoque formulado por Watts: o do Deuteronômio enquanto reposicionamento da aliança e da lei.

O segundo enfoque apresenta o livro como o começo da história de Israel, e apoia-se em outra tradição judaica, essa mais antiga, do sexto século antes da Era comum, quando Devarim era visto como a primeira parte da história da nação, abrindo o bloco dos rolos de Josué, Juízes, Samuel e Reis. Encarado assim, esclarece Watts, teremos então a base teológica para um julgamento da história de Israel. Posicionamento que se repete nos rolos que seguem a Deuteronômio. Os editores desse Devarim histórico deram ao livro uma introdução, que são os capítulos 1 a 4, e fizeram várias outras inserções, como as referências ao exílio e às punições de Israel pelos pecados cometidos, quebrando a visão essencialmente otimista que caracteriza o livro. Temos aqui outro conceito que nos interessa em especial: os editores históricos fizeram uma releitura talvez mais realista, mais crua, da saga israelense, a fim de adaptar Devarim como texto de abertura dos rolos históricos.

O terceiro enfoque apresenta Devarim como o livro do berit, da aliança. Muito possivelmente, essa era a visão dos israelenses dos séculos oitavo e sétimo antes da Era comum, e tem por base os capítulos 5 a 30, que fazem um chamamento à aliança. Pela relevância e qualidade dinâmica desses textos, podemos dizer que originalmente Devarim é o livro da aliança. Mas, para Watts, primariamente, Deuteronômio continha inserções sacerdotais oriundas de Êxodo e Levítico. E mostra que essa renovação do berit não é exclusiva do texto deuteronômico, mas poderá ser encontrada em Josué (capítulo 24), Esdras (capítulos 8-9), nos reinos de Ezequias (2 Cr 29:10) e Josias (2 Re 23), e em Samuel (1 Sm 10:25; 11:25). Há por assim dizer um espraiamento desse conceito de renovação da aliança, que começará com a primeira geração que segue a Moisés indo até meados do século quinto antes da Era comum.

A conclusão de Watts, a partir do entrelaçamento dos três enfoques acima, é de que Deuteronômio representa uma coleção de tradições que organizou-se ao redor das formas da aliança e foi cultivada em diferentes lugares e épocas. Essas tradições, origem de Deuteronômio, são muito mais antigas que o texto atual do livro.

Como Devarim tomou forma


Dessa maneira, existem evidências de que as fórmulas de pacto entre grandes potências e seus vassalos, pactos de suserania, foram utilizadas no livro. As origens destas fórmulas datam de épocas anteriores a Moisés, pois são conhecidas desde a época dos hititas até os assírios, que estabeleceram acordos desse tipo com Ezequias e Manassés. Esses acordos tinham uma estrutura, que se traduziam assim: (1) preâmbulo, (2) recitação dos eventos que levaram ao tratado, (3) declaração do princípio que levou ao tratado, (4) lista das medidas específicas, (5) convocação dos deuses para testemunhar, e (6) maldições e bênçãos.

Segundo Watts, essa influência da diplomacia da época pode ser claramente encontrada no livro de Deuteronômio. O capítulo 5 é uma recitação de eventos, o capítulo 6 é uma declaração de princípios, o capítulo 7 uma benção e o capítulo 8 uma maldição. Aliás, bênçãos/ maldições é um item especialmente evidente em Deuteronômio (8:19,20; 11:26-32; 27:15-26; 28:1-68). Já que as bênçãos estão condicionadas à obediência ou ao cumprimento daquilo que é exigido pela aliança.

Se as fórmulas pactuais fazem parte da composição tradicional do livro, o papel de Moisés é claramente realçado. Várias passagens são colocadas na primeira pessoa, por Moisés. São textos memorialísticos (1:3; 4:10+; 9:7+). Watts acredita que esses textos são uma seleção de extensas coleções pertencentes originalmente ao profeta. Dois trechos, fundamentais, são atribuídos a ele: o poema do capítulo 32 e a benção do capítulo 33.

Quanto à fórmula original do livro, sem dúvida foi de pregação ou exortação, seguindo, aliás, a tradição de orações de despedida que encontramos Josué (23), Samuel (I,12:1) e Crônicas (I, capítulos 12 e 29).

Historicamente, é importante entender como o período da conquista influenciou na formação da Torá. Essa questão não é analisada por Watts, mas a consideramos de vital importância. Apesar de ser um grande general, Josué cometeu três erros políticos: fez uma aliança bilateral com os gabaonitas, permitiu aos jebuseus que permanecessem em Jerusalém e não destruiu as bases dos filisteus no litoral. Esses erros isolaram as tribos de Judá e Simeão do resto do país. A entrada principal para o território de Judá ficou sob controle dos jebuseus, que ocupavam Jerusalém. E toda a região permaneceu cercada pelas cidades dos gabaonitas. Esta situação fracionou a confederação hebréia e acabou por definir toda a futura história de Israel.

É por isso, que Watts levanta com razão a hipótese de que o berço das tradições pactuais mais primitivas de Canaã estavam em Siquém, já que as benções e maldições foram muito possivelmente realizadas nas montanhas de Ebal e Gerizim[2].

Refugiando-se em Jerusalém, os sacerdotes levitas, que originariamente dirigiam os santuários no Norte, tornaram-se apoiadores tanto de Ezequias, como de Josias. Assim, Devarim exerceu influência sobre esses reis e sobre as gerações posteriores. Dessa maneira, mais do que refletir as tradições da aliança e reinado davídicos, Deuteronômio trouxe para o Sul a tradição da antiga confederação tribal, visando claramente a renovação da aliança realizado no Horebe. E esse propósito é explicitado no capítulo 5.

Para Watts, três tendências históricas resumem as origens de Deuteronômio: as formas e cerimônias da tradição pactual; a construção de um texto adaptado às condições de um Estado organizado; e a transmissão através das gerações de famílias levíticas, nos santuários de Siquém e Gilgal.

O cerne do livro


O centro de Deuteronômio está no sermões sobre o primeiro mandamento, afirma Watts[3]. Esses sermões eram apresentados publicamente ao povo. Mais tarde, acredita o autor, que aos sermões foram acrescentados seções que especificavam condições para o cumprimento do primeiro mandamento. Essa combinação de aliança e lei mosaica, que reflete a influência de sábios e profetas, aconteceu muito possivelmente a partir das reformas de Ezequias. Esse Deuteronômio ad reforma, onde a lei é traduzida pela visão dos pregadores levíticos, pode ser sintetizada num slogan, que traduz a história e o pensamento da época: “Um só povo, sob um só Deus, numa só terra”.

Por volta do ano 600 antes da Era comum, acredita Watts, teve início a elaboração de uma grande história de Israel. Essa história era apresentada através de um bloco de livros: Deuteronômio, Josué, Juízes, Samuel e Reis[4]. Segundo esta maneira de ver, o prefaciamento do livro com um primeiro discurso de Moisés, nos capítulos 1-4, assim como o acréscimo de “um terceiro discurso e dois poemas, nos capítulos 29-33”[5] tem como finalidade destacar a sucessão e abrir caminho para o livro de Josué.

Mas, para Watts, o livro de Deuteronômio sofreu outra revisão, que aconteceu muito possivelmente durante o exílio babilônico e teve origem com a reflexão que se fez necessária sobre aquele momento de crise. E essa revisão procurou responder ao porquê das maldições. Ou melhor, quais as razões que distanciavam as promessas originais da realidade do povo da diáspora. Ainda assim, a reflexão sobre o juízo, que se encontra nos capítulos 7 e 8, não fechará o ciclo de revisões que Deuteronômio sofreu. No pós-exílio, os sacerdotes dão canonicidade ao texto, apresentando-o como a parte final do Pentateuco. Para isso acrescentam materiais próprios, como 1:3, 4:41-43, 32:48-52. 34:1a, 7-9 e muito possivelmente todo o capítulo 34., como encerramento da vida e obra de Moisés. Dessa maneira, para Watts, o Deuteronômio que conhecemos e, logicamente, o Pentateuco, são uma restauração pós-exílica.

Devarim e Torá

Mas, vamos pensar a Torá a partir desta leitura da construção de Devarim. E tomemos Yehezkel Kaufmann, A Religião de Israel, São Paulo, Editora Perspectiva, 1989, 460 páginas, cujos direitos pertencem à The University of Chicago Press, para fazer esta caminhada. Para Kaufmann, o estudo dos antigos textos da tradição clássica judaica devem levar em conta três questões fundantes: o caráter da religião israelita, a história da religião israelita antes da profecia clássica e a profecia clássica.

Para nossos estudos interessa principalmente a segunda parte -- A História da Religião Israelita Antes da Profecia Clássica --, que aborda no capítulo 5, em As Fontes, os seguintes assuntos: A Posição da Crítica Clássica, A Torá e a Profecia, Os Corpos de Leis, O Livro do Deuteronômio, A Antigüidade do Código Sacerdotal, A Antigüidade da Literatura da Torá e O Livro da Torá (páginas l53 a 210).

Depois de expor com detalhes a teoria wellhauseniana, Kaufmann afirma que “a estrutura construída por Wellhausen é muito persuasiva. A sua maravilhosa coesão interna e o seu êxito aparente em ajustar pormenores no amplo quadro deram-lhe uma atração duradoura. Apesar dos avanços consideráveis da crítica subsequente, esta visão geral do desenvolvimento, da relação mútua e da datação das fontes continua sendo o fundamento dos estudos bíblicos modernos”. E explica que três conclusões, tiradas a partir da teoria de Wellhausen, devem ser consideradas corretas:

a) A análise das três fontes primárias - JE (combinada e editada nos séculos nono e oitavo antes da Era comum), P (durante o exílio e a restauração) e D (composta na época de Josias), com suas leis e arcabouço narrativo.

b) O atual livro da Torá não era, nos tempos pré-exílicos, canônicos e obrigatórios para a nação. A literatura que iria ser incorporada à Torá existia em vários documentos e versões. Um único livro ainda não fora cristalizado. Antes houve um período extenso de criação literária por parte de sacerdotes e escritores religiosos.

c) O livro de Devarim foi promulgado no reinado de Josias e a Torá, como um todo, foi promulgada e fixada na época de Esdras-Neemias.

A grande divergência de Kaufmann com Wellhausen se dá com respeito a datação da parte principal da Torá, o Código Sacerdotal, e a relação do Pentateuco com a profecia clássica. E a pergunta que faz é: “Até que ponto a Torá pode ser usada como fonte da fase mais antiga da religião israelita?” Ou, em outras palavras, “o monoteísmo da Torá é pré-profético?”

A argumentação que Kaufmann desenvolverá é muito rica e perspicaz. Citarei alguns trechos em que defende que o monoteísmo de Israel é anterior ao profetismo clássico e ao próprio surgimento do Pentateuco.

“A tradição bíblica representa os pais da raça e os patriarcas de Israel como monoteístas. Adão, Noé, Abraão e seus descendentes, todos conheciam Deus e receberam os seus mandamentos. A idolatria surgiu como uma degeneração posterior. Esta visão prevalece no judaísmo, no cristianismo e no islamismo e predominava no pensamento ocidental até os tempos modernos.” Página 153.

“É desnecessário dizer que Reis não reconhece a profecia literária como um fenômeno religioso distinto, portador de uma nova mensagem e de uma nova interpretação histórica. Se os livros proféticos não tivessem sido preservados,  nada saberíamos da existência da profecia literária e muito menos de suas diferentes idéias. (...) Se a profecia literária passa inteiramente despercebida nos livros históricos só pode ser porque estes não eram seu fruto. A comparação das idéias principais  nos livros do grupo Torá com as dos profetas literários corrobora este fato”. Página 158.

“Para o grupo-Torá, o fator moral não é igual em importância histórica aos fatores cultual-religiosos, como o é para os profetas literários. Em vez de refletir um desenvolvimento posterior da visão profética, o grupo-Torá parece representar um ponto de vista histórico que ainda não atingiu o da profecia”. Página 160.

“Os livros históricos do grupo-Torá carecem igualmente desta idéia. Nem mesmo aqueles profetas impregnados de uma missão moral (por exemplo, Natã, Elias) enunciam esta doutrina caracteristicamente profética. E, entretanto, algo que se aproxima dela é encontrado - exatamente o suficiente para salientar o contraste entre a perspectiva dos livros históricos e a dos profetas. Deus jura que os pecados dos filhos de Eli, que ‘desprezavam a oferta de Iahweh’, não seriam expiados pelo sacrifício e pela oferenda (I Sm 3:14; cf. 2:17-29). E Samuel repreende Saul com: ‘Tem Iahweh tanto prazer nos holocaustos e nas oferendas quanto na obediência à voz de Iahweh? Eis que obedecer é melhor do que sacrificar; a submissão é melhor do que a gordura dos carneiros’. (15:22ss). Há, portanto, algo superior ao sacrifício. Não é, contudo, moralidade ou bondade, mas a honra às coisas sagradas e a obediência à vontade de Deus, na forma como é comunicada por seu profeta. Não se diz que o pecado moral não pode ser expiado pelo sacrifício, ou que a retidão e a justiça sejam de maior valor do que as oferendas completas. O ensinamento moral do grupo-Torá aproxima-se dos profetas posteriores, mas não logra alcançá-los. Aquele não pode de modo algum ser considerado um fruto deste.” Página 161.

Assim, para Kaufmann, a Torá foi formada “por causa do desejo de uma comunidade penitente de conhecer e guardar a lei de Deus. Israel apegou-se naturalmente às suas antigas tradições literárias, que continham a história e as leis de sua antiga aliança”. E agrega que o Pentateuco tornou-se o primeiro bloco do texto bíblico, selado e codificado numa época em que a literatura profética ainda estava desordenada e sem influência decisiva na vida do povo. “O livro inteiro, conclui, é um testemunho da primeira era da religião israelita, a era anterior à profecia clássica”. Página 210.

A importância do trabalho de Kaufmann, principalmente nesta segunda parte de seu livro, consiste na quantidade de informações que apresenta, na balizamento bíblico que fornece ao leitor e na sua postura crítica, mas não sectária, em relação aos estudos de Wellhausen e sua equipe.

Assim, tanto em relação aos estudos de Watts, como em relação aos estudos de Kaufmann, podemos dizer que em nenhum momento descartam o papel de Moisés como profeta essencial na história e construção da aliança de Deus com Israel. Na verdade, Watts afirma que a essência de Deuteronômio, em seu cerne mais antigo, fala de Moisés como o grande mediador e legislador da aliança. E que em nenhum momento da história das várias redações de Deuteronômio esta fato foi esquecido ou omitido. Ao contrário, foi considerado fundamental para a compreensão da própria renovação permanente da aliança, conforme 9:8-21, 25-29; 10:1-5.

“Quanto a mim, permaneci na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, como na primeira vez. E Iaweh me ouviu ainda esta vez, e Iaweh não te quis destruir. Iaweh disse-me então: ‘Levanta-te, caminha à frente desse povo, para que tomem posse da terra que eu jurei aos seus pais que lhes daria’.” Dt 10:10-11.

Dessa maneira, inquestionavelmente, Devarim realça a autoridade de Moisés e seu papel como mediador do berit presente na Torá.






* Jorge Pinheiro, PhD, 70, é estudioso dos textos antigos da tradição judaica e autor do livro História e religião de Israel, origens e crise do pensamento judaico, Ed. Vida, São Paulo, 2007.
[1] “Deste ponto de vista, o livro apresenta uma reafirmação da aliança e da lei de uma forma que Israel podia obedecer e cumprir, à medida que entrava em Canaã. É provável que o capítulo 34 tenha sido acrescentado aqui nessa época”. John D. W. Watts, Deuteronomy, in The Broadman Bible Comentary, Vol. 2, Nashville, Tennessee, Broadman Press, p.175.
[2] “Se é verdade que as fontes de Deuteronômio jazem no Norte, a destruição do Reino Setentrional, em 721 a.C., pelos exércitos assírios, tornou a fuga para Judá uma necessidade. (...) Gilgal é outro lugar onde se pode julgar que as tradições pactuais tenham sido preservadas. É o local onde o livro de Josué registra as primeiras reuniões sagradas em solo cananeu. Samuel convocou todo Israel para se congregar ali e Amós, duas gerações antes da destruição de Samaria, falou de um santuário que funciona na região. Watts, op. cit. p.177.
[3] “Seu estilo apelativo-exortativo tem dado ao livro um sua inteireza seu tom e forma significativos e únicos. Os sermões derivam de sua forma como uma parte das cerimônias de renovação da aliança, nas quais o líder, como medianeiro, expunha ao povo a base da aliança pela recitação de elementos de tradições sagradas, e então o exortava à aceitação do princípio da aliança que é expresso por variações do Primeiro Mandamento”. Watts, ibidem, p.180.
[4] “Esta interpretação foi apresentada pela primeira vez por Martin Noth e tem conseguido larga aceitação. Cf. Nicholson, p.107 e ss.”. Watts, op. Cit. p.182.
[5] Watts, ibidem, op. cit., p. 182.
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