lundi 4 avril 2016

Para minha mãe

À moda antiga, 
muito antiga, para minha mãe (JP)


Estes meus olhos nunca perderam, 
Maria, grande coisa, mesmo porque é ilusão. 
E, direi, minha formosa senhora, 
destes meus olhos a coisa que anseio: 
choram e cegam como alguém que vê. 

Mas os meus olhos, por alguém ver, 
choram e cegam, quando alguém não vem, 
e ora cegam por alguém que vê. 
E como a outra, 
a mãe não depende de um homem 
e o pai deixou de ser pai. 

Cuidado tem de nunca perder, 
meus olhos e meu coração, 
e estas coisas, Maria, são coisas minhas. 
E seu nome à outra envia, 
aquela que gerou o pai. 
A mocinha de Belém, 
théotokos.


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