jeudi 9 mars 2017

A centralidade do Cristo e a ...

A centralidade do Cristo
e a ação dos jovens batistas
Jorge Pinheiro


Qual o papel dos jovens batistas brasileiros numa sociedade em crise?
Como Cristo, centralidade da ação e fé batista, é a solução para os problemas brasileiros?


1. Três questões que devem ser levadas em conta

A revolta generalizada do brasileiro urbano contra a atual situação em que vive grande parte da população. Por isso, somos exortados à reforma radical, no sentido protestante, batista, diante do grito de revolta de uma população que desperta para a consciência de que a exclusão de bens e possibilidades não é uma situação irreversível e permanente.

As manifestações e mobilizações apontam para aquilo que Tomás de Aquino afirmava: “há um mínimo de condições exigidas para a prática da virtude”. Assim, a existência de vidas em condições desumanas, injustas, inferiores, leva milhões de brasileiros à prática de atos contrários aos padrões morais.

O Brasil quer definir sua identidade enquanto nação.


2. Reformas e resistência à mudança social no Brasil

O Brasil não enfrenta um problema de subdesenvolvimento, mas outro, mais complexo, que é o do desenvolvimento desigual.

A resistência à mudança no Brasil localiza-se predominantemente na natureza patrimonialista do Brasil de pensamento arcaico. E tal pensar não está apenas nas zonas rurais tradicionais – do Nordeste e outras regiões --, mas dentro do próprio Brasil urbano.

Diante de tal situação, qual a missão da juventude batista? Será possível uma resposta coerente, que apresente saídas para os grandes dilemas brasileiros?

A situação brasileira se insere num contexto mundial, que é fruto das transformações sociais e dos imperativos morais e religiosos decorrentes da ampla utilização da ciência aos meios de produção. Em última instância, a técnica é boa pois modifica as condições de vida das pessoas, mas, paradoxalmente, virou o mundo de ponta cabeça.

Somos exortados a viver a reforma radical, no sentido batista, em marcha, já que não é mais possível tolerar a exclusão de possibilidades de milhões de brasileiros.

Os jovens batistas não podem divorciar-se da luta pela justiça. E essa luta traduz ao nível do real, atributos do próprio Cristo, já que ele fez do brasileiro mordomo e não dono absoluto deste quase continente. Esse Cristo redentor e santificador lança sobre nós o desafio do Brasil, já que é impossível adotar a criança da manjedoura e esquecer a realidade, colocar-se sob a cruz e esquecer a sociedade em que vivemos.

A vida é o primeiro passo para a construção de uma centralidade do Cristo. Vamos ler Lucas 4. 16-21.

Temos aqui o programa ministerial de Jesus. E no texto destaca os quatro pontos programáticos de Jesus Cristo: anunciar uma nova ordem aos excluídos de bens e possibilidades; proclamar a libertação aos deserdados da terra; restaurar a vida dos que estão sendo ceifados pelas enfermidades; e apregoar o ano aceitável do Senhor.

Ora, se os três primeiros itens do programa se referem aos aspectos materiais da vida humana, sobre o que trata o quarto item? Ao compromisso, a opção por estar na trincheira ao lado daqueles que lutam por dignidade e justiça.

Aqui, está, à maneira protestante radical, as sementes para uma centralidade do Cristo em nossas vidas e na vida da nação.

E podemos tirar dez conclusões desta abordagem profética.

(1) A nossa fé deve interpretar a condição humana à luz do propósito de Cristo. (2) Somos porta-vozes de Cristo para condições específicas. (3) Somos jovens batistas em ação. (4) Somos jovens do povo de Cristo e de nosso tempo. (5) Exercemos uma ação política à luz da compreensão do destino do povo de Cristo. (6) O propósito básico de nossa pregação social é a aliança no sangue do Cristo. (7) Justiça e juízo, amor e integridade são importantes que a estrutura política, a religião organizada e a organização e instituições econômicas da nação. (8) Nosso compromisso é com Cristo. (9) Cristo participa dos combates pela justiça, é a centralidade de nossa ação. (10) Hoje, somos desafiados, na centralidade do Cristo, a enfrentar os dilemas destes dias.


3. Cristo, a centralidade da reforma radical

Se os jovens batistas colocam-se na brecha social e consideram fundamental participar da vida real do país, em que sentido podemos falar da centralidade do Cristo numa reforma radical da sociedade brasileira?

O que significa, em última instância, a centralidade do Cristo?

Teologicamente, fazemos a proclamação da soberania de Cristo, depositando sobre os ombros de nossa juventude a tarefa de aceitar o desafio do momento, a fim de demonstrar a evidência da ação do Cristo no mundo.

O perigo é, em meio às rápidas transformações sociais, ficar atrás em nosso pensamento social e pregar um evangelho que não seja compreensível e adequado às necessidades do sociedade em mudança.

O papel dos jovens batistas numa sociedade em crise é seguir os passos de Cristo, amante apaixonado dos excluídos de bens e possibilidades.

E atenção, juventude batista brasileira

Cristo é a centralidade para a solução dos problemas brasileiros porque sob sua soberania está nossa ação política, a favor do brasileiro e da vida, na reforma permanente do reinar de Deus. E neste que fazer, o fazemos todos, juntos a partir de nosso atuar transformador.





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